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Dissertação de mestrado · PPGA Mackenzie · 2024

O que move o valor de um fundo multimercado?

Os multimercados podem aplicar em juros, câmbio, ações e commodities ao mesmo tempo. A pesquisa acompanhou os 50 maiores do país, dia a dia, de 2017 a meados de 2023, mediu o desempenho de cada um e procurou os indicadores da economia que andam junto com suas cotas. O que mais pesou foram os juros. Explicada em 12 telas.

Autor: Harion Camargo Barbosa Orientador: Prof. Dr. Denis Forte Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
Cada coluna: quanto a cota de um fundo rendeu (2023) Lâmina: o CDI no mesmo período
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02 O ponto de partida

Um fundo que pode investir em quase tudo

Um fundo de investimento junta o dinheiro de muitas pessoas, os cotistas, e entrega a um gestor profissional. Quem aplica compra cotas; o valor da cota sobe ou desce com o que o gestor fez.

1O multimercado combina renda fixa, câmbio, ações e outros mercados, e pode usar derivativos para alavancar ou proteger a carteira.
2O resultado depende das escolhas do gestor: quando entrar em cada mercado e quanto colocar em cada um.
3São os fundos brasileiros mais parecidos com os hedge funds estrangeiros. A pesquisa estudou só os abertos, em que se pode entrar e sair a qualquer momento.

Seções 2.1 e 3.1. A ANBIMA divide os multimercados em subtipos pela estratégia (Tabela 1). Ao lado, quantos dos 50 fundos estudados estão em cada um.

03 A amostra · Tabela 2

Os 50 maiores somavam cerca de R$ 82 bilhões

O autor escolheu os 50 multimercados abertos com o maior patrimônio em 2 de janeiro de 2017 e seguiu cada um até 30 de junho de 2023: antes, durante e depois da pandemia. Cada retângulo é um fundo, do tamanho do seu patrimônio. Toque em um.

50fundos
18gestoras, segundo a lista da dissertação
R$ 81,6 bide patrimônio somado em jan/2017 conta nossa
4encerrados no caminho, por cisão ou incorporação

Dados diários da plataforma ComDinheiro. Os quatro fundos encerrados (seção 3.2) ficam de fora dos gráficos por ano das próximas telas, que usam os 46 com dados completos.

04 Como medir se um fundo foi bom · seções 2.4 a 2.6

Render mais não basta: é preciso ver quanto risco se correu

A dissertação usa três índices clássicos. Os três dividem o mesmo ganho acima do CDI por uma medida diferente de risco: quanto maior o índice, melhor a troca entre ganho e risco.

Sharpe
0,0ganho ÷ oscilação total
Sortino
0,0ganho ÷ só a oscilação para baixo
Treynor
0,0ganho ÷ beta (quanto segue o mercado)

Fundo e números inventados, só para mostrar a conta. Nas tabelas da dissertação, os índices vêm da ComDinheiro e o Sortino está em base diária, por isso os valores são bem menores.

Um fundo imaginário, em um ano · CDI de 10%
05 Retorno acima do CDI · Tabela 3

No período todo, 32 dos 46 fundos ficaram acima do CDI

O CDI é a régua do investidor brasileiro: quanto rendeu uma aplicação conservadora em renda fixa. No período inteiro ele acumulou cerca de 59%. Escolha um ano e veja como o quadro muda.

Contagens nossas a partir da Tabela 3 (retorno do fundo menos o do CDI, em pontos percentuais). CDI acumulado de jan/2017 a jun/2023 calculado por nós como retorno do fundo (Tabela 7) menos o excedente (Tabela 3): dá 59,1% para todos os fundos. 2023 vai só até junho.

06 Retorno e oscilação · Tabelas 7 e 8

Oscilar mais não rendeu mais

Cada ponto é um fundo: quanto a cota oscilou por ano (para a direita, mais risco) e quanto rendeu (para cima, mais ganho) nos 12, 24 ou 36 meses até junho de 2023. Se risco fosse sempre recompensado, os pontos subiriam da esquerda para a direita.

Correlação entre oscilação e retorno conta nossa: −0,35 em 12 meses, −0,60 em 24 e −0,08 em 36. Retorno acumulado na janela; oscilação = volatilidade anualizada.

07 Posição entre os 46 · Tabelas 4 a 7

O mesmo fundo pode ser o 1º ou o 46º, conforme a régua

A dissertação calcula cada índice em quatro janelas: 12, 24 e 36 meses até junho de 2023 e o período inteiro desde 2017. Escolha um fundo: quanto mais alta a coluna, melhor a posição dele entre os 46.

Posições contadas por nós entre os 46 fundos com dados completos (1º = maior valor). No Sortino, valores iguais dividem a posição.

08 O inesperado · Tabela 5

Para fundos que quase não seguem a bolsa, o índice de Treynor enlouquece

Nas janelas de 12 a 36 meses, o Treynor dos fundos foi de −2.991 a +6.482, enquanto o Sharpe ficou entre −3,9 e +8,9. O mesmo fundo que lidera no Sharpe aparece em último no Treynor de 12 meses.

Leitura nossa A dissertação não publica os betas. A explicação vem da fórmula (seção 2.5): o Treynor divide pelo beta, e a própria dissertação lembra que a dependência do beta é um limite do índice. Quando o beta fica perto de zero, qualquer ganho vira um número enorme; se o beta for negativo, o sinal se inverte.

Ilustração · um fundo que rende 2 pontos acima do CDI e oscila 3%
09 Como a dissertação mediu · seções 5.1 e 5.2

76 mil dias de fundos contra 12 indicadores da economia

Para cada fundo e cada dia, o modelo coloca lado a lado o valor da cota e doze indicadores. Tudo entra em logaritmo, o que permite ler o resultado em porcentagem: quando o indicador está 1% mais alto, a cota tende a estar x% mais alta ou mais baixa.

Regressão com dados em painel e efeitos fixos de fundo e de ano, com erros-padrão de Driscoll-Kraay, que corrigem a autocorrelação apontada pelo teste de Wooldridge; o teste de Hausman indicou efeitos fixos. 76.434 observações (Tabela 12). Selic acumulada: a taxa somada dia a dia, um índice que só cresce.

Aposte antes de ver · quando o indicador sobe, a cota…
10 A descoberta · Tabela 12

A cota andou junto com os juros, quase um para um

Na Selic acumulada, 1% a mais veio com cerca de 1,04% a mais na cota, o maior efeito do modelo. Bolsa americana e dólar andaram no sentido contrário, com efeitos pequenos. O Ibovespa, sozinho, não teve efeito claro.

O modelo explica
85%

R² dentro dos fundos. Observação nossa Cota e Selic acumulada crescem juntas com o tempo, o que ajuda a explicar um R² tão alto; o modelo mostra associação, não causa.

JurosInflaçãoBolsas, câmbio e commoditiesListrado: sentido contrárioSem efeito claro
11 Os melhores e os piores · seção 5.8

Os fundos com melhor relação risco-retorno seguiram a Selic mais de perto

O autor separou os fundos em três grupos por índice e rodou o modelo para o terço de cima e o terço de baixo. Nos de cima, a ligação com a Selic foi cerca de o dobro da dos de baixo, e o Ibovespa pesou mais para o lado contrário. Toque em um indicador.

Terço de cimaTerço de baixo% na cota para 1% a mais no indicador

12 Na prática · limites · créditos

Para escolher um multimercado, olhe os juros e mais de uma régua

Para quem investe

Compare fundos pelo retorno ajustado ao risco, em mais de uma janela de tempo, e não só pelo quanto renderam. O autor lembra que desempenho passado não garante resultado futuro. Esta página não é recomendação de investimento.

Para gestores

Acompanhar os indicadores que pesaram no modelo, sobretudo juros, inflação, commodities e o mercado externo, ajuda a prever como as cotas reagem às mudanças da economia.

Para pesquisadores

Incluir taxas de administração e de performance, liquidez e risco de cada fundo, testar efeitos não lineares e usar um horizonte maior ou dados de alta frequência.

O que esta pesquisa não diz

  • Associação, não causa. O modelo compara níveis de cotas e de índices que crescem com o tempo; séries assim tendem a parecer ligadas. · observação nossa
  • Só os maiores e os que sobreviveram. 50 fundos grandes de 2017; quatro foram encerrados e os resultados podem não valer para os demais multimercados. · segundo o autor, e observação nossa
  • Sem custos. Taxas de administração e de performance não entraram no modelo. · segundo o autor
  • Números para conferir. Na Tabela 12, alguns desvios-padrão não batem com o t e dois coeficientes aparecem com a vírgula deslocada em relação ao texto; por isso, para o ouro, mostramos só a direção. Os grupos de baixo do Treynor repetem os do Sharpe e ficaram de fora. · observação nossa
  • O tempo muda tudo. Crises, mudanças de regras e ciclos da economia podem alterar as relações. · segundo o autor

Créditos

Como citar
BARBOSA, Harion Camargo. Determinantes de desempenho dos fundos multimercados no Brasil entre 2017 e 2023: uma análise de performance dos 50 maiores fundos do mercado brasileiro. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientador: Prof. Dr. Denis Forte.

Pesquisa com apoio da CAPES. Dados da plataforma ComDinheiro e regressão com dados em painel no Stata. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; as tabelas completas estão no texto original.