As barreiras ao emprego de pessoas autistas estão no ambiente de trabalho
Cada vez mais adultos descobrem que estão no espectro autista (TEA). A dissertação ouviu 19 profissionais com TEA, 6 de RH e 4 de entidades que preparam para o trabalho. As barreiras aparecem no diagnóstico, nos mitos e em cada etapa da gestão de pessoas. Explicada em 11 telas.
Para o modelo social, a deficiência nasce do encontro com as barreiras
Imagine uma pessoa autista que não entende uma ironia na reunião. Onde está o problema? A resposta muda com a lente. A dissertação usa a segunda, a mesma da Lei Brasileira de Inclusão (LBI, 2015). Troque a lente:
Seções 2.2.1 e 4 (modelos da deficiência; Art. 3º da LBI). Para a dissertação, ser autista não é barreira em si: os desafios são lidos sempre no ambiente. A pesquisa também lembra o modelo biopsicossocial, que soma os dois olhares.
A maioria descobriu o autismo já adulta
Os 19 profissionais com TEA ouvidos têm de 20 a 49 anos. Antes de ver os dados, aposte: em que faixa de idade a maior parte recebeu o diagnóstico?
E como assim? Poxa, eu posso ser autista? Como assim?TEA 9 · deu nome ao Tema 1
É caríssimo. A pessoa não consegue emprego [...]. Aí ela não consegue nunca pagar [...] aquela avaliação que é cara.TEA 9 · o custo do laudo
Seção 4.1, Quadros 13 e 14, e Tema 1 do Grupo 1. Os outros diagnósticos contam relatos (uma pessoa pode ter mais de um). Sem laudo, a pessoa não pode concorrer às vagas da Lei de Cotas: o diagnóstico tardio e caro também atrasa o emprego.
A pesquisa ouviu três lados da mesma porta de entrada
Cada grupo teve um roteiro próprio, com entrevistas pelo Teams em 2023 e 2024. As falas foram lidas por análise temática (Braun e Clarke) no programa MAXQDA, em busca de temas que se repetem. Escolha um grupo:
Seções 3.3 e 3.4, Quadros 7 a 11 e Apêndice IX. Um cubo por pessoa. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética e todos assinaram o termo de consentimento. A autora conta que a própria experiência com o TEA e outras neurodivergências pode ter ajudado os participantes a se sentirem acolhidos.
Nem todo autista trabalha com tecnologia
Um dos mitos mais citados é que pessoas autistas servem para números e computadores. Aposte: qual área de estudo apareceu mais entre os 19 participantes?
O pessoal também tem uma imagem de que é autista, então vai trabalhar com números, com tecnologias. Não necessariamente.TEA 14
Seção 4.1, Quadros 16 e 17, e Tema 3 do Grupo 1. Uma pessoa pode ter estudado mais de uma área (24 menções, contagem nossa). O "42%" não conta quem estava sem emprego. Outros mitos do Tema 3: que todos preferem ficar sozinhos, que todos querem trabalho remoto e que todos precisam dos mesmos apoios.
Contar ou não contar o diagnóstico tem custo nos dois casos
Revelar o TEA permite pedir apoios. Esconder evita o preconceito, mas a pessoa passa a ser avaliada pela régua de quem não é autista. Escolha um caminho e veja o que os participantes contaram:
Tema 1 do Grupo 1, subtema "Revelar ou não revelar no trabalho: eis a questão", e Quadro 19. Fala de TEA 9 sobre cotas: para quem precisa de pouco apoio, declarar-se pode tirar a vaga de quem precisa de mais.
Antes da vaga, há barreiras na vida das pessoas e na gestão das empresas
A dissertação chama de barreiras macro as que vêm antes de qualquer cargo. As pessoas com TEA falaram das da vida; o RH e as entidades, das que travam os programas de neurodiversidade nas empresas. Acenda cada grupo e toque nos blocos:
Seção 4.2, Figura 13, e Considerações finais. A figura junta as barreiras sem dizer o grupo de cada uma: a atribuição por grupo segue o texto dessas seções (leitura nossa).
Em cada etapa da gestão de pessoas aparece uma barreira
Para organizar o que acontece dentro das empresas, a dissertação usa as seis áreas de RH de Doyle e McDougall (2022), do desenho da vaga ao bem-estar. Toque em cada etapa do caminho para comparar o que disse cada grupo:
Seção 4.2, Figura 14 e Quadros 31 a 36 (barreiras resumidas por nós). "Neurotípico" é quem não é neurodivergente.
Para o RH, a dificuldade de comunicação está na pessoa. Para os outros, está no processo
Quando o assunto é a chegada à empresa e a comunicação, os grupos discordam. Leia cada fala e adivinhe quem disse:
Para a autora, o RH parece partir da ideia de que a integração com os colegas é afetada pelo jeito de se comunicar de alguns profissionais com TEA. As falas das pessoas com TEA e das entidades mostram outra coisa: a barreira está na empresa quando ela não dá os apoios para que a pessoa se comunique, como canais por escrito.
Seções 4.1.2 e 4.1.3 e Quadro 33. A pilha de cada fala segue a leitura que a própria dissertação faz desse tema.
Sem apoio, cada profissional busca a própria saída
A pesquisa também perguntou o que as pessoas com TEA fazem por conta própria para conseguir e manter um emprego. Saíram sete temas. Toque em cada um:
Onde os 19 trabalham ou trabalharam por mais tempo:
Temas 5 a 11 do Grupo 1, Figura 8, Quadros 17, 22 e 23. Os temas não têm contagem de falas. A camuflagem (esconder traços autistas para se encaixar) aparece ligada ao burnout autista.
Tirar as barreiras é tarefa da organização, e cada pessoa autista precisa de apoios diferentes
Para a autora, os desafios no mercado de trabalho não vêm do jeito de ser das pessoas com TEA, mas das barreiras nas organizações e nas relações. Ouvir os três lados juntos ajuda a mostrar onde agir.
Para empresas e RH
- Mostrar o ambiente e a rotina antes da contratação: no RH que fez isso, a rotatividade caiu.
- Descrever com clareza as habilidades da vaga e adaptar dinâmicas de grupo e entrevistas.
- Criar métricas de desempenho e plano de carreira com critérios objetivos.
Para entidades de apoio
- Podem fazer a ponte entre profissionais com TEA e o RH, atendendo os dois lados.
- Treinar habilidades técnicas, não moldar a pessoa ao padrão neurotípico.
Para profissionais com TEA e famílias
- Os relatos mostram que diagnóstico adulto e dúvidas sobre revelar são comuns.
- Estudar, fazer contatos e buscar orientação profissional foram caminhos citados. (leitura nossa: não são receita)
O que esta pesquisa não diz
- Quanto vale para todos. Por ser uma pesquisa qualitativa, os achados se limitam a quem foi entrevistado. · segundo a autora
- Outros níveis de suporte. Todos os 19 têm nível 1; com níveis 2 e 3 podem surgir outras barreiras. · segundo a autora
- Muitas empresas e entidades. Poucas organizações aceitaram participar: 3 no RH e 4 entidades. · segundo a autora
- Se a rotatividade é maior ou menor. Uma entidade relata desligamentos antes da avaliação; um RH vê pessoas com TEA ficando mais tempo. A dissertação mostra as duas visões. · segundo a autora
- Quem está no Brasil todo. Dos 19, 13 moram no Sudeste e 14 se declaram brancos; o perfil de quem respondeu ao convite nas redes pode pesar. · observação nossa
Créditos
ROMANOV, Débora Cunha. Neurodiversidade no ambiente de trabalho: desafios para a empregabilidade de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientadora: Profa. Dra. Darcy Mitiko Mori Hanashiro.
Pesquisa com apoio da CAPES e do MackPesquisa, aprovada pelo comitê de ética, com termo de consentimento dos participantes. As pessoas aparecem só pelos códigos da dissertação (TEA, RH e Org.), sem gênero, cargo ou organização de cada uma. Falas com cortes marcados por [...]. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.