Laços de confiança, inovação e resultados em Moçambique
Num país onde as instituições inspiram pouca confiança, saber com quem contar dentro da empresa pode fazer diferença. Com 70 profissionais de empresas privadas de Maputo, a dissertação pergunta se esses laços melhoram os resultados, e por qual caminho. Explicada em 12 telas.
Em Moçambique, as empresas crescem num ambiente difícil e de pouca confiança
Moçambique fica no sudeste da África, com a capital em Maputo. A dissertação descreve um mercado com pouco acesso à tecnologia, mão de obra pouco qualificada, regras pouco previsíveis e baixa confiança. Nesse cenário, os laços entre as pessoas podem suprir parte do que as instituições não dão. Toque em cada número:
Dados citados na seção 3.3 da dissertação (Guitarrara, 2025; Banco Mundial, 2025). As colunas mostram o crescimento da economia em 2023 e 2024.
Os laços dentro da empresa têm três lados, e os três pesam quase o mesmo
Capital social é o valor que nasce das relações: saber quem sabe o quê, poder contar com os colegas e querer as mesmas coisas. A dissertação mediu três lados dele, com perguntas adaptadas de Allameh (2018). Toque numa coluna:
Altura = peso de cada lado no capital social (carga de 0 a 1) no modelo final, Figura 13. Definições da seção 3.4.1; perguntas resumidas do questionário (Apêndice B), respondidas em escalas de 5 ou 6 pontos.
A capacidade de inovar tem cinco faces, e melhorar processos é a que mais pesa
Capacidade para inovação é a disposição da empresa para adotar ideias, tecnologias e processos novos o tempo todo. Wang e Ahmed (2004) a dividem em cinco faces, e a dissertação usou as perguntas deles. Toque numa coluna:
Altura = peso de cada face na capacidade para inovação (carga de 0 a 1), Figura 13. Perguntas do Apêndice B (Tabela 3), respondidas de 1 (discordo totalmente) a 6 (concordo totalmente).
70 profissionais de empresas privadas de Maputo responderam
O autor fez a pesquisa a distância, do Brasil, com um questionário no Google Forms. Cada pessoa respondeu sobre a própria empresa: os laços entre os colegas, o jeito de inovar e como os resultados de 2024 se compararam aos de 2023. As respostas foram analisadas com equações estruturais (PLS-SEM), que medem as ligações entre ideias que não se observam diretamente.
Seções 3.1, 3.2 e 4.1. O mínimo de 81 veio do G*Power; o autor considera que, como amostra experimental, as 70 respostas atenderam aos objetivos. Análise no SmartPLS 4.
Percentuais da Tabela 1. Cada ponto é uma resposta; a distribuição dos pontos arredonda os percentuais para 70 pessoas (conta nossa). A dissertação não diz de quantas empresas diferentes vieram as respostas.
Nas respostas, inovação e resultados ficam no meio da régua
Antes das ligações, o retrato. Em média, as pessoas concordaram só um pouco com as frases sobre inovação, mais nas de processo e de comportamento do que nas de produto e de mercado. E disseram que os resultados de 2024 ficaram entre “mantiveram-se” e “aumentaram pouco” em relação a 2023. Troque a régua:
A dissertação fez quatro apostas, e a última tem duas partes
O desempenho foi medido pela comparação de 2024 com 2023 em receita, retorno, margens e desempenho geral. Antes de ver os resultados, aposte em cada hipótese. Suas apostas aparecem no placar da tela 10.
Modelo da Figura 8 e hipóteses da seção 2.4. Mediação: o efeito passa pela inovação. Moderação: a inovação muda a força da ligação direta entre laços e desempenho.
Os laços chegam aos resultados pelo caminho da inovação
Sozinho, o capital social se liga ao desempenho (0,424). Quando a capacidade para inovação entra no modelo, essa seta direta cai para 0,095 e deixa de ter efeito claro. Os laços se ligam à inovação (0,631), e a inovação, ao desempenho (0,521). A dissertação chama isso de mediação total. Troque o modelo:
Figuras 12 e 13 e seção 4.3. β = coeficiente padronizado (0,424 e 0,631 significativos a 1%; 0,095 não significativo a 5%). Efeito pela inovação: 0,631 × 0,521 ≈ 0,329, e 0,329 + 0,095 = 0,424, o mesmo do modelo só com os laços (contas nossas; a dissertação não traz o teste estatístico desse efeito indireto). R² do desempenho: 18,0% → 34,4%; da inovação: 39,9%.
A inovação é ponte, mas não amplificador
A segunda parte da quarta aposta era outra: em empresas mais inovadoras, os laços renderiam mais (moderação). Mova o controle e compare a ilustração da hipótese com o que os dados mostraram:
Se a hipótese estivesse certa
O que os dados mostraram
Linhas recalculadas por nós a partir do modelo com moderação (Figura 14, coeficientes de caminho): desempenho = 0,610 × inovação + 0,173 × laços − 0,009 × laços × inovação. A interação (−0,009) não é significativa (seção 4.3). Eixos em desvios-padrão, de −2 a +2. No painel da esquerda, as inclinações são inventadas.
Quatro das cinco apostas se confirmaram
Os laços se ligam ao desempenho (H1) e à inovação (H3); a inovação se liga ao desempenho (H2) e faz a ponte entre os dois (H4, mediação). Só a moderação não se confirmou. Toque numa coluna ou num cartão para comparar com a sua aposta:
H1: Figura 12 (modelo só com os laços). H2, H3 e mediação: Figura 13 (na mediação, a coluna mostra o efeito pela inovação, 0,631 × 0,521, conta nossa). Moderação: Figura 14. Altura = β, sem o sinal. Confirmada = como diz a dissertação.
Investir em confiança vale mais quando a empresa transforma os laços em inovação
Para o autor, investir em capital social é estratégico, mas não basta: as relações precisam virar aprendizagem, conhecimento compartilhado e inovação de fato.
Para quem gere empresas
- Criar estruturas, processos e uma cultura que favoreçam a inovação: incentivo à experimentação, apoio à criatividade, tolerância ao erro e liderança voltada ao aprendizado. (autor)
- Ir além de promover redes e confiança: criar condições para que essas relações virem conhecimento compartilhado. (autor)
Para empresas em mercados frágeis
- Em mercados com instituições frágeis, como o moçambicano, a cooperação entre empresas pode ajudar a superar a falta de recursos e de infraestrutura. (autor)
- Leitura nossa: a pesquisa mediu os laços entre colegas dentro de cada empresa; a cooperação entre empresas é a extensão que o autor propõe, não algo que o questionário testou.
Para políticas públicas
- Programas que estimulem redes empresariais, parcerias, polos (clusters) e ambientes colaborativos, junto com incentivos à inovação, como forma de promover um desenvolvimento econômico sustentável. (autor)
O que esta pesquisa não diz
- Amostra pequena. 70 respostas, abaixo das 81 calculadas para a análise; os achados não se generalizam com segurança. · segundo o autor
- Só Maputo. Empresas de outras regiões do país podem ser diferentes. · segundo o autor
- Um só momento. O questionário foi aplicado uma vez: mostra o que anda junto, não o que causa o quê ao longo do tempo. · segundo o autor
- Percepções. Laços, inovação e resultados são o que cada pessoa relatou, sem dados contábeis das empresas. · segundo o autor
- O caminho pela inovação. A mediação foi lida pela queda da seta direta; o teste estatístico do efeito indireto não aparece na dissertação. · observação nossa
Próximos passos sugeridos pelo autor: amostras maiores e de outras regiões, estudos ao longo do tempo, outros fatores (cultura, liderança, capacidade de absorção) e comparações entre países.
Créditos
LOPES, Joaquim Martins José. A relação entre capital social e capacidade para inovação no desempenho das organizações em Moçambique. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Silvio Popadiuk.
Dissertação aprovada em 10 de dezembro de 2025, com apoio da CAPES. Questionário analisado no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.