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Dissertação de mestrado · PPGA Mackenzie · 2025

Pensar diferente ajuda a decidir melhor?

Uma pesquisa com 257 profissionais de equipes de projetos multifuncionais investigou como a diversidade de formas de pensar se liga ao trabalho em equipe, à criatividade, à comunicação e à qualidade das decisões. Explicada em 13 telas.

Autora: Tatiane Teixeira Neri do Nascimento Orientador: Prof. Dr. Fellipe Silva Martins Programa: Pós-Graduação em Administração · Universidade Presbiteriana Mackenzie
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02 O ponto de partida

Uma reunião, cinco cabeças

Numa equipe multifuncional, pessoas de áreas diferentes trabalham juntas num projeto temporário e tomam decisões que pesam para a organização. Cada uma olha o mesmo problema de um jeito.

Clique em cada lugar da mesa para ouvir quem está ali.

Cenário ilustrativo, criado para esta página: as falas não vêm da pesquisa. A definição de equipe multifuncional é da dissertação (Seção 2.1).

03 O conceito

A diferença que não aparece na foto

A diversidade tem dois níveis. Na superfície estão as diferenças que se veem, como função, formação, gênero e etnia. Abaixo dela ficam valores, crenças e modos de pensar: é aí que mora a diversidade cognitiva, o foco da pesquisa.

    As quatro camadas de baixo são as quatro perguntas da escala usada para medir a diversidade cognitiva (Van der Vegt e Janssen, 2003). O iceberg é uma metáfora. Fonte: Seções 2.3, 2.4 e 3.1.

    04 O que foi medido

    Cinco peças, uma pergunta

    A pesquisa queria saber como a diversidade cognitiva se liga à qualidade da decisão e qual é o papel de três processos do dia a dia da equipe. Clique num cartão para ver como cada peça foi medida.

    Todas as perguntas foram respondidas numa escala de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Somadas, são 91 afirmações sobre a equipe. Fonte: Seção 3.1 e Tabela 3.

    05 Como a pesquisa olhou

    2.776 cliques, 257 respostas que contam

    O questionário circulou on-line, por WhatsApp e LinkedIn, entre junho e agosto de 2025, para quem trabalha ou já trabalhou em equipes de projetos multifuncionais. Passe o mouse em cada etapa.

    • 2.776

      acessos ao questionário

    • 812

      começaram a responder; 358 pararam no meio

    • 454

      responderam até o fim

    • 257

      respostas válidas, usadas na análise

    Foram descartados questionários respondidos rápido demais ou com a mesma resposta repetida em sequência. Antes da coleta, 7 pessoas testaram a clareza das perguntas.

    Fonte: Seções 3 e 4.2. O número 812 é a soma de quem concluiu (454) com quem parou no meio (358).

    06 A amostra · 257 profissionais

    Quem respondeu

    Gente de vários níveis, de júnior a CEO, quase toda no Brasil e com bastante experiência em projetos. Escolha um recorte.

    93,8%trabalham no Brasil; 80,2% no estado de São Paulo
    47,9%mulheres e 52,1% homens
    61,5%atuam em projetos de grandes empresas
    45,9%veem impacto alto ou muito alto da diversidade de pensamento na solução de problemas

    07 O resultado · 10 ligações testadas

    O mapa completo: 10 ligações, 8 confirmadas

    Cada seta é uma ligação que a pesquisa testou. Quanto mais grossa, mais forte a ligação. As tracejadas não se confirmaram. Clique numa seta ou numa peça.

    Como ler os números: o coeficiente (β) mostra a força da ligação; aqui, quanto mais perto de 0, mais fraca. Uma ligação é "confirmada" quando a chance de ela ser obra do acaso fica abaixo de 5% (p < 0,05). Fonte: Tabelas 31 e 32.

    confirmadamais fortenão confirmada
    08 O resultado · em ordem de força

    O trabalho em equipe é o motor das conversas e das ideias

    Postas em fila, as duas ligações mais fortes saem do trabalho em equipe: onde as pessoas coordenam e cooperam bem, a comunicação flui (0,497) e as ideias aparecem (0,428).

    Altura proporcional ao coeficiente (β). Barras cinza: ligações não confirmadas. Fonte: Tabela 31.

    09 O resultado · o que sai da diversidade

    Da diversidade, um empurrão pequeno, mas real

    A diversidade cognitiva se liga às quatro outras peças. Os efeitos são modestos, mas o que vai direto para a qualidade da decisão (0,223) é o maior que chega à decisão em todo o modelo.

    Mova o controle e compare duas equipes, iguais em tudo menos na diversidade de pensamento.

    Leitura ilustrativa dos coeficientes da Tabela 31. Na dissertação, β indica quantos desvios-padrão uma peça varia quando a outra varia um desvio-padrão e as demais ficam iguais. O desvio-padrão funciona como uma régua comum para escalas diferentes. É associação medida num único momento, não prova de causa.

    1 desvio abaixo da médiamédia1 desvio acima
    −0,30+0,3

    10 O inesperado

    Conversar bem não basta

    Dos três processos de equipe, só a criatividade tem uma ponte direta até a decisão. Com as outras peças na conta, comunicação e trabalho em equipe não acrescentam nada à qualidade da decisão. Tente atravessar.

    Isso não quer dizer que comunicação e trabalho em equipe não importem: eles se ligam fortemente entre si e à criatividade (tela 8). O que não aparece é uma ligação direta deles com a decisão. Fonte: Tabela 31 e Seção 5.

    11 O tamanho da explicação

    A decisão depende de muito mais coisa

    Cada copo mostra quanto das diferenças entre as equipes o modelo consegue explicar. A comunicação fica quase pela metade. A qualidade da decisão fica em 13,5%: a maior parte vem de fatores que a pesquisa não mediu.

    Medida usada: R² (Tabela 30). Os fatores possivelmente ausentes são apontados pela própria autora nas limitações (Seção 8).

    12 Por que isso importa

    E daí?

    Para a autora, gerir a diversidade cognitiva vai além de contratar pessoas diferentes: é preciso criar condições para que as diferenças virem ideias e as ideias virem boas decisões.

    Para gestores e líderes de projeto

    Abra espaço para discordar sem medo. Use brainstorming estruturado e rodízio de papéis, e ponha várias alternativas na mesa antes de decidir. A comunicação serve para explorar pontos de vista, não para chegar rápido a um consenso.

    A autora sugere ainda dosar a diversidade conforme a fase do projeto: estimular na busca de ideias e alinhar na execução.

    Implicações da dissertação · a sugestão sobre as fases não foi testada

    Para RH e avaliação de equipes

    Olhar só o resultado final esconde o caminho. Indicadores intermediários, como criatividade, aprendizado coletivo e número de alternativas consideradas, ajudam a ver se a equipe está aproveitando as diferenças.

    Implicações da dissertação

    Para quem trabalha em equipe

    Pensar diferente do grupo é um recurso. No estudo, a criatividade foi a única ponte direta entre os processos da equipe e a decisão: um olhar diferente pesa mais quando vira proposta concreta.

    Leitura nossa

    Para a sociedade

    Valorizar diferentes formas de pensar é uma questão de inclusão e também de competitividade: organizações abertas a estilos de raciocínio, experiências e visões de mundo variados tendem a ser mais inovadoras.

    Implicações sociais da dissertação
    13 Limites e créditos

    O que esta pesquisa não diz

    • Mostra associações, não causa e efeito. Os dados foram coletados num único momento, e cada pessoa respondeu sobre todas as peças, o que pode inflar algumas ligações.
    • A diversidade foi medida com 4 perguntas. O conceito ainda não tem definição consensual, e uma medida curta pode deixar nuances de fora.
    • A amostra não representa todo o país. Foi por conveniência, com 80,2% das respostas de São Paulo e 46,7% do setor de serviços.
    • O modelo explica pouco da decisão (13,5%). Centralização das decisões, segurança psicológica e trabalho remoto estão entre as peças que podem faltar.
    • Os caminhos indiretos não foram testados. Esta página mostra só as ligações diretas. Testar rotas como diversidade → equipe → criatividade → decisão é um dos próximos passos sugeridos.
    Como citar
    NASCIMENTO, Tatiane Teixeira Neri do. A influência da diversidade cognitiva na tomada de decisão estratégica em projetos de equipes multifuncionais. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) — Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Fellipe Silva Martins.

    Pesquisa com apoio do CNPq, pelo programa de bolsas do Mackenzie. Os dados foram analisados por modelagem de equações estruturais (PLS-SEM, no SmartPLS 4), com 5.000 reamostragens.

    Esta versão interativa simplifica o trabalho para o público em geral; o referencial teórico, as escalas completas e as discussões estão no texto original.