Pensar diferente ajuda a decidir melhor?
Uma pesquisa com 257 profissionais de equipes de projetos multifuncionais investigou como a diversidade de formas de pensar se liga ao trabalho em equipe, à criatividade, à comunicação e à qualidade das decisões. Explicada em 13 telas.
Uma reunião, cinco cabeças
Numa equipe multifuncional, pessoas de áreas diferentes trabalham juntas num projeto temporário e tomam decisões que pesam para a organização. Cada uma olha o mesmo problema de um jeito.
Clique em cada lugar da mesa para ouvir quem está ali.
Cenário ilustrativo, criado para esta página: as falas não vêm da pesquisa. A definição de equipe multifuncional é da dissertação (Seção 2.1).
A diferença que não aparece na foto
A diversidade tem dois níveis. Na superfície estão as diferenças que se veem, como função, formação, gênero e etnia. Abaixo dela ficam valores, crenças e modos de pensar: é aí que mora a diversidade cognitiva, o foco da pesquisa.
As quatro camadas de baixo são as quatro perguntas da escala usada para medir a diversidade cognitiva (Van der Vegt e Janssen, 2003). O iceberg é uma metáfora. Fonte: Seções 2.3, 2.4 e 3.1.
Cinco peças, uma pergunta
A pesquisa queria saber como a diversidade cognitiva se liga à qualidade da decisão e qual é o papel de três processos do dia a dia da equipe. Clique num cartão para ver como cada peça foi medida.
Todas as perguntas foram respondidas numa escala de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Somadas, são 91 afirmações sobre a equipe. Fonte: Seção 3.1 e Tabela 3.
2.776 cliques, 257 respostas que contam
O questionário circulou on-line, por WhatsApp e LinkedIn, entre junho e agosto de 2025, para quem trabalha ou já trabalhou em equipes de projetos multifuncionais. Passe o mouse em cada etapa.
- 2.776
acessos ao questionário
- 812
começaram a responder; 358 pararam no meio
- 454
responderam até o fim
- 257
respostas válidas, usadas na análise
Foram descartados questionários respondidos rápido demais ou com a mesma resposta repetida em sequência. Antes da coleta, 7 pessoas testaram a clareza das perguntas.
Fonte: Seções 3 e 4.2. O número 812 é a soma de quem concluiu (454) com quem parou no meio (358).
Quem respondeu
Gente de vários níveis, de júnior a CEO, quase toda no Brasil e com bastante experiência em projetos. Escolha um recorte.
O mapa completo: 10 ligações, 8 confirmadas
Cada seta é uma ligação que a pesquisa testou. Quanto mais grossa, mais forte a ligação. As tracejadas não se confirmaram. Clique numa seta ou numa peça.
Como ler os números: o coeficiente (β) mostra a força da ligação; aqui, quanto mais perto de 0, mais fraca. Uma ligação é "confirmada" quando a chance de ela ser obra do acaso fica abaixo de 5% (p < 0,05). Fonte: Tabelas 31 e 32.
O trabalho em equipe é o motor das conversas e das ideias
Postas em fila, as duas ligações mais fortes saem do trabalho em equipe: onde as pessoas coordenam e cooperam bem, a comunicação flui (0,497) e as ideias aparecem (0,428).
Altura proporcional ao coeficiente (β). Barras cinza: ligações não confirmadas. Fonte: Tabela 31.
Da diversidade, um empurrão pequeno, mas real
A diversidade cognitiva se liga às quatro outras peças. Os efeitos são modestos, mas o que vai direto para a qualidade da decisão (0,223) é o maior que chega à decisão em todo o modelo.
Mova o controle e compare duas equipes, iguais em tudo menos na diversidade de pensamento.
Leitura ilustrativa dos coeficientes da Tabela 31. Na dissertação, β indica quantos desvios-padrão uma peça varia quando a outra varia um desvio-padrão e as demais ficam iguais. O desvio-padrão funciona como uma régua comum para escalas diferentes. É associação medida num único momento, não prova de causa.
Conversar bem não basta
Dos três processos de equipe, só a criatividade tem uma ponte direta até a decisão. Com as outras peças na conta, comunicação e trabalho em equipe não acrescentam nada à qualidade da decisão. Tente atravessar.
Isso não quer dizer que comunicação e trabalho em equipe não importem: eles se ligam fortemente entre si e à criatividade (tela 8). O que não aparece é uma ligação direta deles com a decisão. Fonte: Tabela 31 e Seção 5.
A decisão depende de muito mais coisa
Cada copo mostra quanto das diferenças entre as equipes o modelo consegue explicar. A comunicação fica quase pela metade. A qualidade da decisão fica em 13,5%: a maior parte vem de fatores que a pesquisa não mediu.
Medida usada: R² (Tabela 30). Os fatores possivelmente ausentes são apontados pela própria autora nas limitações (Seção 8).
E daí?
Para a autora, gerir a diversidade cognitiva vai além de contratar pessoas diferentes: é preciso criar condições para que as diferenças virem ideias e as ideias virem boas decisões.
Para gestores e líderes de projeto
Abra espaço para discordar sem medo. Use brainstorming estruturado e rodízio de papéis, e ponha várias alternativas na mesa antes de decidir. A comunicação serve para explorar pontos de vista, não para chegar rápido a um consenso.
A autora sugere ainda dosar a diversidade conforme a fase do projeto: estimular na busca de ideias e alinhar na execução.
Implicações da dissertação · a sugestão sobre as fases não foi testadaPara RH e avaliação de equipes
Olhar só o resultado final esconde o caminho. Indicadores intermediários, como criatividade, aprendizado coletivo e número de alternativas consideradas, ajudam a ver se a equipe está aproveitando as diferenças.
Implicações da dissertaçãoPara quem trabalha em equipe
Pensar diferente do grupo é um recurso. No estudo, a criatividade foi a única ponte direta entre os processos da equipe e a decisão: um olhar diferente pesa mais quando vira proposta concreta.
Leitura nossaPara a sociedade
Valorizar diferentes formas de pensar é uma questão de inclusão e também de competitividade: organizações abertas a estilos de raciocínio, experiências e visões de mundo variados tendem a ser mais inovadoras.
Implicações sociais da dissertaçãoO que esta pesquisa não diz
- Mostra associações, não causa e efeito. Os dados foram coletados num único momento, e cada pessoa respondeu sobre todas as peças, o que pode inflar algumas ligações.
- A diversidade foi medida com 4 perguntas. O conceito ainda não tem definição consensual, e uma medida curta pode deixar nuances de fora.
- A amostra não representa todo o país. Foi por conveniência, com 80,2% das respostas de São Paulo e 46,7% do setor de serviços.
- O modelo explica pouco da decisão (13,5%). Centralização das decisões, segurança psicológica e trabalho remoto estão entre as peças que podem faltar.
- Os caminhos indiretos não foram testados. Esta página mostra só as ligações diretas. Testar rotas como diversidade → equipe → criatividade → decisão é um dos próximos passos sugeridos.
NASCIMENTO, Tatiane Teixeira Neri do. A influência da diversidade cognitiva na tomada de decisão estratégica em projetos de equipes multifuncionais. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) — Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Fellipe Silva Martins.
Pesquisa com apoio do CNPq, pelo programa de bolsas do Mackenzie. Os dados foram analisados por modelagem de equações estruturais (PLS-SEM, no SmartPLS 4), com 5.000 reamostragens.
Esta versão interativa simplifica o trabalho para o público em geral; o referencial teórico, as escalas completas e as discussões estão no texto original.