O que ajuda alguém a aprender com os próprios erros
Errar no trabalho é inevitável, e aprender com o erro não acontece sozinho. Com 176 pessoas que trabalham em organizações, a dissertação mede quanto pesam as capacidades da própria pessoa, o seu capital psicológico e o jeito como a organização trata o erro. Explicada em 12 telas.
Os erros não podem ser eliminados, e aprender com eles depende de muita coisa
Errar dói. Falhas ficam em evidência e despertam ansiedade, raiva, vergonha e culpa, e desde a escola somos premiados por errar menos. Por isso a tendência é esconder o erro, e não estudá-lo. A dissertação começa separando três palavras:
ilustração
Os dois caminhos resumem a introdução e as seções 2.1 e 2.2 (Cannon e Edmondson, 2001; Dahlin, Chuang e Roulet, 2018; Frese e Keith, 2015). A dissertação trata erro, falha e engano como intercambiáveis, porque as fronteiras entre eles se confundem.
Três grupos de fatores, cada um com quatro partes
As capacidades agênticas vêm de Albert Bandura: são o que permite à pessoa agir por conta própria. O capital psicológico positivo vem de Fred Luthans: são recursos como esperança e otimismo. Os fatores organizacionais dizem como o ambiente trata o erro. Toque numa coluna:
Altura = carga de cada parte no seu grupo (0 a 1), Figura 5 (capacidades e capital psicológico) e Figura 9 (fatores organizacionais). A caixa vazada vai até 1. Definições das seções 1 e 2; frases do questionário (Apêndice C), respondidas de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente).
Responda como os participantes responderam
Cada pessoa leu 57 frases, em ordem sorteada, e marcou de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). Aqui estão oito delas, duas por bloco. Responda pensando nos últimos 12 meses de trabalho:
Frases do Apêndice C. A conta é só a média das suas respostas em cada bloco; não é diagnóstico e não se compara com os participantes (a dissertação não publica as médias da amostra). Nada é enviado: tudo fica no seu navegador.
323 pessoas começaram o questionário, e 176 respostas ficaram
O convite circulou por aplicativos de mensagem e redes sociais, e cada participante foi chamado a repassá-lo. Podia responder quem trabalhou numa organização nos últimos 12 meses, em português ou em inglês. Antes, cinco professores e 82 pessoas testaram o questionário, e sete frases saíram.
Seções 3.1 a 3.6. Amostra por conveniência; a dissertação não informa o perfil dos 176 (país, idade, setor), só que essas perguntas foram usadas como controle. Respostas “não sei / prefiro não responder”: até duas foram preenchidas com a média dos outros; mais que isso, a resposta saiu.
A dissertação fez cinco apostas sobre o aprender com o erro
O aprender com o erro foi medido com frases como “os erros me mostraram como posso melhorar meu trabalho”. Antes de ver os resultados, aposte em cada hipótese. O placar com as suas apostas está na tela 11.
Modelo da Figura 1 e hipóteses das seções 2.3 a 2.5. Moderação: o ambiente mudaria a força de uma ligação. Perfil da pessoa e da organização (país, idade, gênero, cargo, setor, porte e outros) entrou como controle.
As três ligações aparecem, e juntas explicam três quartos do aprender com o erro
Quem relata mais capacidades agênticas também relata mais capital psicológico e diz aprender mais com os erros. As setas mostram a força de cada ligação. Troque a régua ou toque numa seta:
Modelo principal, Figura 5 e Tabela 9, com as 176 respostas (PLS-SEM, SmartPLS 4). Todas com p < 0,001. β = coeficiente padronizado: quanto o outro lado muda, em desvios-padrão, quando este sobe um desvio-padrão. f² = quanto o R² cairia sem aquela seta.
As capacidades agênticas pesam mais, direto e pelo capital psicológico
Refletir sobre o que fez, controlar as emoções, planejar e aprender olhando os colegas: é esse conjunto que mais acompanha o aprender com o erro. Parte do efeito ainda passa pelo capital psicológico. Mova o controle e veja o que o modelo prevê:
Tabela 9. Efeito pelo capital psicológico: 0,775 × 0,274 = 0,212; total 0,640 + 0,212 = 0,852, quase igual à correlação entre os dois (0,853, Tabela 8). Contas nossas: a dissertação não testou a significância desse efeito indireto. O simulador usa os mesmos coeficientes, em desvios-padrão em relação à média; é uma leitura dos números, não uma previsão para uma pessoa.
Um bom ambiente faz mais diferença para quem tem menos recursos próprios
A aposta era que um ambiente que trata bem o erro (gestor e colegas que ajudam, regras claras, buscar a causa e não o culpado) reforçaria as ligações. Os dados mostram outra coisa. Mova o controle do ambiente e compare:
Se a aposta estivesse certa
O que os dados mostraram
Linhas recalculadas por nós: inclinação pelas Tabelas 12 e 13 (agência 0,593 e interação −0,073; capital psicológico 0,098 e interação −0,065, ambas com p < 0,001 e f² 0,042 e 0,041); a altura de cada linha (cerca de 0,18 e 0,16 por desvio-padrão do ambiente) foi lida dos gráficos das Figuras 8 e 10, porque as tabelas não trazem o efeito do ambiente. Eixos em desvios-padrão, de −1 a +1, como nas figuras. No painel da esquerda, as inclinações são inventadas. Com as duas interações no mesmo modelo, nenhuma foi significativa (p 0,474 e 0,662), e a dissertação descartou esse modelo por redundância (Tabela 10).
Com o ambiente na conta, o peso do capital psicológico encolhe
A dissertação rodou o modelo de vários jeitos. A ligação das capacidades agênticas ficou firme em todos. A do capital psicológico sobreviveu ao teste da vontade de parecer bem, mas encolheu quando o ambiente entrou. Troque o modelo:
Tabela 9 (principal), Figura 12 (com as 8 frases de desejabilidade social), Tabelas 12 e 13 (com o ambiente) e Tabela 14 (controles). Listrado = sem efeito claro (p acima de 0,05); claro = no limite (p = 0,050).
Três apostas se confirmaram, e o ambiente agiu ao contrário do previsto
As capacidades agênticas se ligam ao capital psicológico (H3) e ao aprender com o erro (H2). O capital psicológico também (H1), mas essa ligação enfraquece com o ambiente no modelo. As moderações (H4 e H5) apareceram com o sinal trocado. Toque numa coluna ou num cartão:
H1 a H3 da Tabela 9; H4 e H5 das Tabelas 12 e 13, com a numeração das hipóteses da seção 2.5 (H4: ambiente e capacidades; H5: ambiente e capital psicológico). Altura = β sem o sinal; nas moderações, multiplicado por 5 para ficar visível.
Aprender com o erro começa nas capacidades de cada pessoa
Para o autor, as organizações ganham ao desenvolver essas capacidades e ao trocar a punição do erro pela conversa sobre ele.
Para RH e gestores
- Treinar resolução de problemas, feedback construtivo e reflexão sobre a prática; oferecer coaching, mentoria e apoio psicológico. (autor)
- Considerar essas capacidades na atração de talentos. (autor)
Para a organização
- Trocar a abordagem punitiva por transparência, com sessões regulares de “lições aprendidas” e feedback rápido. (autor)
- Leitura nossa: pela tela 9, um bom ambiente pesa mais para quem tem menos capital psicológico ou capacidades, como quem está começando.
Para quem trabalha
- Depois de um erro, refletir sobre o que fez e observar como colegas mais experientes resolveram situações parecidas. (leitura nossa a partir das frases do questionário)
O que esta pesquisa não diz
- Quem respondeu. 176 pessoas por conveniência, concentradas no Brasil; não representa todos os trabalhadores. · segundo o autor
- Autoavaliação. Tudo vem do mesmo questionário, sobre a própria pessoa; ele mostra o que anda junto, não o que causa o quê, e não mede erros reais. · autor e observação nossa
- Medidas muito próximas. Capacidades agênticas e aprender com o erro têm correlação de 0,853, quase no limite para serem medidas diferentes; o autor as trata como distintas. · autor e observação nossa
- Escalas traduzidas e reduzidas. Frases que não funcionaram foram retiradas, não reescritas. · segundo o autor
- O que não foi testado. O efeito que passa pelo capital psicológico não teve teste de significância, e a moderação saiu no sentido contrário ao previsto. · observação nossa
Créditos
SZPICZKOWSKI, Jairo. Influência das capacidades agênticas e do capital psicológico na aprendizagem a partir do erro nas organizações. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientador: Prof. Dr. Diógenes de Souza Bido.
Dissertação aprovada em 2 de dezembro de 2024, com apoio da CAPES. Questionário analisado no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.