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Dissertação de mestrado · PPGA Mackenzie · 2025

O que ajuda alguém a aprender com os próprios erros

Errar no trabalho é inevitável, e aprender com o erro não acontece sozinho. Com 176 pessoas que trabalham em organizações, a dissertação mede quanto pesam as capacidades da própria pessoa, o seu capital psicológico e o jeito como a organização trata o erro. Explicada em 12 telas.

Autor: Jairo Szpiczkowski Orientador: Prof. Dr. Diógenes de Souza Bido Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
Capacidades agênticas Capital psicológico Ambiente da organização Aprender com o erro
ODS da ONU mais próximos
role
02 O problema

Os erros não podem ser eliminados, e aprender com eles depende de muita coisa

Errar dói. Falhas ficam em evidência e despertam ansiedade, raiva, vergonha e culpa, e desde a escola somos premiados por errar menos. Por isso a tendência é esconder o erro, e não estudá-lo. A dissertação começa separando três palavras:

ilustração
Os dois caminhos resumem a introdução e as seções 2.1 e 2.2 (Cannon e Edmondson, 2001; Dahlin, Chuang e Roulet, 2018; Frese e Keith, 2015). A dissertação trata erro, falha e engano como intercambiáveis, porque as fronteiras entre eles se confundem.

03 As ideias da dissertação

Três grupos de fatores, cada um com quatro partes

As capacidades agênticas vêm de Albert Bandura: são o que permite à pessoa agir por conta própria. O capital psicológico positivo vem de Fred Luthans: são recursos como esperança e otimismo. Os fatores organizacionais dizem como o ambiente trata o erro. Toque numa coluna:

Altura = carga de cada parte no seu grupo (0 a 1), Figura 5 (capacidades e capital psicológico) e Figura 9 (fatores organizacionais). A caixa vazada vai até 1. Definições das seções 1 e 2; frases do questionário (Apêndice C), respondidas de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente).

04 Como a pesquisa olhou

Responda como os participantes responderam

Cada pessoa leu 57 frases, em ordem sorteada, e marcou de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). Aqui estão oito delas, duas por bloco. Responda pensando nos últimos 12 meses de trabalho:

só para você

Frases do Apêndice C. A conta é só a média das suas respostas em cada bloco; não é diagnóstico e não se compara com os participantes (a dissertação não publica as médias da amostra). Nada é enviado: tudo fica no seu navegador.

05 Como a pesquisa olhou

323 pessoas começaram o questionário, e 176 respostas ficaram

O convite circulou por aplicativos de mensagem e redes sociais, e cada participante foi chamado a repassá-lo. Podia responder quem trabalhou numa organização nos últimos 12 meses, em português ou em inglês. Antes, cinco professores e 82 pessoas testaram o questionário, e sete frases saíram.

57frases no questionário; 51 ficaram no modelo
2idiomas, com tradução de ida e volta
8frases a mais para medir a vontade de parecer bem

Seções 3.1 a 3.6. Amostra por conveniência; a dissertação não informa o perfil dos 176 (país, idade, setor), só que essas perguntas foram usadas como controle. Respostas “não sei / prefiro não responder”: até duas foram preenchidas com a média dos outros; mais que isso, a resposta saiu.

06 Como a pesquisa olhou

A dissertação fez cinco apostas sobre o aprender com o erro

O aprender com o erro foi medido com frases como “os erros me mostraram como posso melhorar meu trabalho”. Antes de ver os resultados, aposte em cada hipótese. O placar com as suas apostas está na tela 11.

Modelo da Figura 1 e hipóteses das seções 2.3 a 2.5. Moderação: o ambiente mudaria a força de uma ligação. Perfil da pessoa e da organização (país, idade, gênero, cargo, setor, porte e outros) entrou como controle.

07 O que encontrou

As três ligações aparecem, e juntas explicam três quartos do aprender com o erro

Quem relata mais capacidades agênticas também relata mais capital psicológico e diz aprender mais com os erros. As setas mostram a força de cada ligação. Troque a régua ou toque numa seta:

75,7%
das diferenças no aprender com o erro
60,0%
das diferenças no capital psicológico

Modelo principal, Figura 5 e Tabela 9, com as 176 respostas (PLS-SEM, SmartPLS 4). Todas com p < 0,001. β = coeficiente padronizado: quanto o outro lado muda, em desvios-padrão, quando este sobe um desvio-padrão. f² = quanto o R² cairia sem aquela seta.

08 A descoberta

As capacidades agênticas pesam mais, direto e pelo capital psicológico

Refletir sobre o que fez, controlar as emoções, planejar e aprender olhando os colegas: é esse conjunto que mais acompanha o aprender com o erro. Parte do efeito ainda passa pelo capital psicológico. Mova o controle e veja o que o modelo prevê:

Tabela 9. Efeito pelo capital psicológico: 0,775 × 0,274 = 0,212; total 0,640 + 0,212 = 0,852, quase igual à correlação entre os dois (0,853, Tabela 8). Contas nossas: a dissertação não testou a significância desse efeito indireto. O simulador usa os mesmos coeficientes, em desvios-padrão em relação à média; é uma leitura dos números, não uma previsão para uma pessoa.

09 O inesperado

Um bom ambiente faz mais diferença para quem tem menos recursos próprios

A aposta era que um ambiente que trata bem o erro (gestor e colegas que ajudam, regras claras, buscar a causa e não o culpado) reforçaria as ligações. Os dados mostram outra coisa. Mova o controle do ambiente e compare:

ilustração

Se a aposta estivesse certa

O que os dados mostraram

Linhas recalculadas por nós: inclinação pelas Tabelas 12 e 13 (agência 0,593 e interação −0,073; capital psicológico 0,098 e interação −0,065, ambas com p < 0,001 e f² 0,042 e 0,041); a altura de cada linha (cerca de 0,18 e 0,16 por desvio-padrão do ambiente) foi lida dos gráficos das Figuras 8 e 10, porque as tabelas não trazem o efeito do ambiente. Eixos em desvios-padrão, de −1 a +1, como nas figuras. No painel da esquerda, as inclinações são inventadas. Com as duas interações no mesmo modelo, nenhuma foi significativa (p 0,474 e 0,662), e a dissertação descartou esse modelo por redundância (Tabela 10).

10 O que encontrou · os testes

Com o ambiente na conta, o peso do capital psicológico encolhe

A dissertação rodou o modelo de vários jeitos. A ligação das capacidades agênticas ficou firme em todos. A do capital psicológico sobreviveu ao teste da vontade de parecer bem, mas encolheu quando o ambiente entrou. Troque o modelo:

22 testes com o perfil de quem respondeu · p de cada um (a linha vermelha é 0,05)

Tabela 9 (principal), Figura 12 (com as 8 frases de desejabilidade social), Tabelas 12 e 13 (com o ambiente) e Tabela 14 (controles). Listrado = sem efeito claro (p acima de 0,05); claro = no limite (p = 0,050).

11 O que encontrou · o placar

Três apostas se confirmaram, e o ambiente agiu ao contrário do previsto

As capacidades agênticas se ligam ao capital psicológico (H3) e ao aprender com o erro (H2). O capital psicológico também (H1), mas essa ligação enfraquece com o ambiente no modelo. As moderações (H4 e H5) apareceram com o sinal trocado. Toque numa coluna ou num cartão:

H1 a H3 da Tabela 9; H4 e H5 das Tabelas 12 e 13, com a numeração das hipóteses da seção 2.5 (H4: ambiente e capacidades; H5: ambiente e capital psicológico). Altura = β sem o sinal; nas moderações, multiplicado por 5 para ficar visível.

12 E daí?

Aprender com o erro começa nas capacidades de cada pessoa

Para o autor, as organizações ganham ao desenvolver essas capacidades e ao trocar a punição do erro pela conversa sobre ele.

Para RH e gestores

  • Treinar resolução de problemas, feedback construtivo e reflexão sobre a prática; oferecer coaching, mentoria e apoio psicológico. (autor)
  • Considerar essas capacidades na atração de talentos. (autor)

Para a organização

  • Trocar a abordagem punitiva por transparência, com sessões regulares de “lições aprendidas” e feedback rápido. (autor)
  • Leitura nossa: pela tela 9, um bom ambiente pesa mais para quem tem menos capital psicológico ou capacidades, como quem está começando.

Para quem trabalha

  • Depois de um erro, refletir sobre o que fez e observar como colegas mais experientes resolveram situações parecidas. (leitura nossa a partir das frases do questionário)

O que esta pesquisa não diz

  • Quem respondeu. 176 pessoas por conveniência, concentradas no Brasil; não representa todos os trabalhadores. · segundo o autor
  • Autoavaliação. Tudo vem do mesmo questionário, sobre a própria pessoa; ele mostra o que anda junto, não o que causa o quê, e não mede erros reais. · autor e observação nossa
  • Medidas muito próximas. Capacidades agênticas e aprender com o erro têm correlação de 0,853, quase no limite para serem medidas diferentes; o autor as trata como distintas. · autor e observação nossa
  • Escalas traduzidas e reduzidas. Frases que não funcionaram foram retiradas, não reescritas. · segundo o autor
  • O que não foi testado. O efeito que passa pelo capital psicológico não teve teste de significância, e a moderação saiu no sentido contrário ao previsto. · observação nossa

Créditos

Como citar
SZPICZKOWSKI, Jairo. Influência das capacidades agênticas e do capital psicológico na aprendizagem a partir do erro nas organizações. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientador: Prof. Dr. Diógenes de Souza Bido.

Dissertação aprovada em 2 de dezembro de 2024, com apoio da CAPES. Questionário analisado no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.