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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2023

Qual modelo prevê melhor o câmbio?

Desde 1983, economistas tentam vencer um palpite simples: o câmbio do próximo período será igual ao de hoje. A tese testou modelos econômicos e uma rede neural com cinco moedas contra o dólar, de 1995 a 2020. Nenhum modelo venceu sempre. Mas, de dois trimestres à frente em diante, o palpite simples saiu do grupo dos melhores. Explicada em 12 telas.

Autora: Camila de Souza Vasconcelos Genin Orientador: Prof. Dr. Eli Hadad Junior Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
1 trimestre à frente
"amanhã = hoje"Regra de Taylor com filtroscombinação de modelosVAR ou VEC sozinho

Cada bloco é um modelo no grupo dos melhores pelo erro (Quadro 9 da tese), de 1 a 6 trimestres à frente.

ODS da ONU mais próximos
role
02 Experimente

Duas réguas para julgar uma previsão

O palpite mais difícil de bater é repetir o último valor: o dólar do próximo trimestre será igual ao de hoje. Os economistas chamam isso de passeio aleatório (random walk). Em 1983, Meese e Rogoff mostraram que ele errava menos que os modelos econômicos da época.

A tese julga os modelos por duas réguas: quanto erram no valor e se acertam a direção (sobe ou desce), que importa para quem investe. Tente com o real de verdade, trimestre a trimestre.

Valores aproximados, lidos por nós do gráfico da tese (Figura 11): reais por dólar no fim de cada trimestre.

Você–acertos de direção
"Amanhã = hoje"–acertos de direção
"Amanhã = hoje"–erro médio no valor
Rodada 1 de 8. O real vai subir ou descer no próximo trimestre?
03 Artigo 1 · 775 artigos

Quase ninguém olhou para as moedas de países emergentes

A autora reuniu 775 artigos da Web of Science sobre modelos de câmbio, mediu quem publica e quem é citado, e leu por inteiro os 69 que comparam modelos de previsão.

Entre os 69, só 4 incluem moedas de países emergentes, e o real aparece em apenas 2. Ela também viu poucos estudos que usam vários tipos de modelo e várias réguas ao mesmo tempo. A tese nasce dessas lacunas.

Um ponto por artigo lido. Nos recortes dados em percentual pela tese (abordagem, frequência, período), os pontos são uma aproximação nossa.

04 Artigo 1 · quem a área cita

Um artigo de 1983 ainda é o mais citado

O estudo de Meese e Rogoff tem 1.543 citações na base. Foi ele que criou o "quebra-cabeça": por que modelos baseados na economia (juros, inflação, moeda, produção) não superam o palpite de repetir o último valor?

As citações em comum separam três grupos de estudos:

Modelos econômicos × outrosTestam se os modelos baseados na economia vencem outras formas de prever. Meese e Rogoff estão no centro.palavras: models, fit, fundamentals
Os modelos monetários clássicosOs artigos que criaram os modelos de preços flexíveis e de preços rígidos, nos anos 1970 e 1980.palavras: purchasing power parity, cointegration, tests
VolatilidadeEstudos sobre o quanto o câmbio oscila, com os modelos ARCH.palavras: volatility, time-series, models

Os 10 artigos mais citados entre os 775 (Tabela 4 da tese). Por ano, o de Patton (2006), sobre como as moedas se movem juntas, passa à frente.

05 Como a pesquisa olhou

Cinco moedas e 104 trimestres

O iene japonês, uma moeda central do mercado mundial, e quatro moedas de países emergentes: real, peso mexicano, peso chileno e peso colombiano, todas contra o dólar, de 1995 (início do Plano Real) a 2020.

Os modelos aprendem com os primeiros 75% dos trimestres e são testados nos 25% finais, de 1 a 6 trimestres à frente. A cada passo, recebem o valor real antes de prever o seguinte.

Dados trimestrais do FMI, da OCDE e do FRED (Federal Reserve de St. Louis); CDS da Bloomberg. A divisão em trimestres de aprendizado e de teste é uma conta nossa a partir dos 75% e 25% da tese.

06 Artigo 2 · os competidores

Dezoito receitas com ingredientes da economia

Cada modelo econômico prevê o câmbio a partir de diferenças entre o país e os EUA: moeda em circulação, PIB, juros, inflação, comércio exterior. A novidade da tese é um ingrediente a mais, o CDS, um termômetro do risco de calote do país.

Cada receita rodou em 6 versões, e as previsões ainda foram combinadas entre si:

VARVAR, viés corrigido para cimaVAR, para baixoVECVEC, para cimaVEC, para baixo

Quadro 5 da tese. Toque numa linha para ver a receita. VAR e VEC preveem várias séries juntas; o VEC também usa o equilíbrio de longo prazo entre elas. A 18ª receita, a Regra de Taylor, usa os hiatos de PIB, juros e inflação calculados com cinco filtros (BK, BW, CF, HP e HM). Os 150 melhores modelos de cada país seguiram para a comparação final.

07 Artigo 2 · o resultado principal

O palpite simples só ficou entre os melhores no 1º trimestre

Um teste estatístico (o Model Confidence Set) separou, para cada país e cada horizonte, o grupo de modelos que erraram menos e empataram entre si. O "amanhã = hoje" entrou nesse grupo só um trimestre à frente, em três países. Do 2º ao 6º trimestre, ficou de fora em todos.

"amanhã = hoje"Regra de Taylor com filtroscombinação de modelosVAR ou VEC sozinho

Quadro 9 da tese. Cada bloco é um modelo no grupo dos melhores; toque numa pilha para ver quais são. As contagens por família são nossas.

08 Artigo 2 · a outra régua

Pela direção, vários acertos ficaram perto da sorte

Entre os modelos empatados, a tese escolheu o que mais acertou se o câmbio subiria ou desceria. Por essa régua, os modelos superaram o "amanhã = hoje" em todos os trimestres, menos no 1º do Chile e da Colômbia.

Há um detalhe: o "amanhã = hoje" nunca diz "sobe" nem "desce", então acerta 0% das direções. A comparação justa é com uma moeda jogada ao ar: 50%. Troque a régua.

Leitura nossa. Acertos de direção do Quadro 11 da tese ("= hoje": a tese indica o próprio "amanhã = hoje"). O teste usa os 25% finais, cerca de 26 trimestres. Com 26 lances, uma moeda honesta acerta entre 31% e 69% em mais de 95% das vezes (faixa azul). A tese não testa se os acertos diferem do acaso.

09 O inesperado

O termômetro do risco não melhorou as previsões

A aposta da tese era incluir o CDS de cinco anos, o preço de um seguro contra o calote do governo, como medida de incerteza. Estudos anteriores ligam o CDS ao câmbio, sobretudo em crises. No resultado, os modelos com CDS apareceram entre os melhores, mas não se mostraram superiores aos outros.

Início das séries de CDS: Quadro 7 da tese. Trimestres com CDS até o fim de 2020: contagem nossa.

10 Artigo 3 · inteligência artificial

Uma rede neural maior errou menos que o palpite simples

No terceiro artigo, a autora treinou uma rede neural LSTM, um tipo de rede com memória, só com a série do próprio câmbio, para prever um trimestre à frente. Testou sete tamanhos, de 1 a 100 neurônios em 3 camadas. Arraste o controle.

Escala logarítmica: cada degrau de altura multiplica o erro por 10. A lâmina azul é o erro do "amanhã = hoje"; abaixo dela, a rede errou menos. O número na barra é o erro médio da rede dividido pelo do palpite simples, conta nossa com o Quadro 13. O Japão fica de fora: no Quadro 13, os valores dele repetem os da Colômbia (iguais ou divididos por mil), o que não combina com um iene entre 100 e 125 por dólar.

Ver os erros da tese (Quadro 13)
11 Artigo 3 · o limite

A rede acompanhou o real de perto até a pandemia

Com 100 neurônios, a previsão um trimestre à frente quase se confunde com o câmbio real de 2014 a 2019. Em 2020, o real disparou e a rede ficou para trás. A autora aponta essa sensibilidade a choques nos países emergentes.

Para explicar, ela cita dois tipos de incerteza (Gaba, Hogarth e Makridakis, 2010). Toque neles:

câmbio realprevisão da rede (100 neurônios)

Valores aproximados, lidos por nós da Figura 11 da tese (3º trimestre de 2014 ao 3º de 2020, reais por dólar).

12 Na prática, limites e créditos

O que a pesquisa muda e o que ela não diz

Para quem se protege do câmbio

Empresas que usam contratos futuros (hedge) buscam medir melhor o risco. De 2 a 6 trimestres à frente, modelos econômicos e combinações de modelos erraram menos que repetir o último valor, nos cinco países.

Resumo e Quadro 9

Para quem monta carteiras de moedas

Para a autora, acertar a direção é o que interessa a quem investe, e os modelos fizeram isso melhor que o palpite simples. Em vários casos, porém, o acerto ficou perto de cara ou coroa.

Seção 5.3; ressalva: leitura nossa

Para pesquisadores

Olhar o mesmo problema com vários modelos, várias técnicas e várias réguas, e incluir moedas de países emergentes, ainda pouco estudadas.

Seções 2.2.3 e 7.1

O que esta pesquisa não diz

  • Sem margem de erro da previsão. A tese não calculou intervalos de confiança das projeções; a autora sugere isso para estudos futuros. · segundo a autora
  • A direção sem teste contra o acaso. Com cerca de 26 trimestres de teste, acertos entre 31% e 69% cabem na sorte. · observação nossa
  • Rede neural com um horizonte e um ingrediente. A LSTM previu só um trimestre à frente e só com o próprio câmbio, sem dados da economia. · observação nossa
  • Dados do Japão no Quadro 13. Os erros do Japão repetem os da Colômbia; por isso a tela 10 mostra quatro países. · observação nossa

Créditos

Como citar
GENIN, Camila de Souza Vasconcelos. Modelos de projeção de câmbio: uma investigação múltipla com séries de tempo, modelos estruturais e model selection. Tese (Doutorado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2023. Orientador: Prof. Dr. Eli Hadad Junior.

Pesquisa com apoio da CAPES e do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Dados do FMI, da OCDE, do FRED e da Bloomberg; análises no Stata e no OxMetrics. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; as equações e as tabelas completas estão no texto original.