Práticas verdes ajudam hotéis e pousadas a ganhar mais?
Economizar água e energia, separar o lixo, comprar produtos ecológicos: isso compensa para o negócio? A tese primeiro reuniu 122 estudos sobre o tema e depois ouviu 233 hotéis e pousadas do Brasil. Explicada em 12 telas.
Num hotel, ecoinovar é mudar o dia a dia para gastar menos recursos e poluir menos
Ecoinovação é qualquer novidade que reduza os riscos e os impactos ao meio ambiente de forma mais eficiente. Nesta tese, adotar qualquer prática ambiental já conta como ecoinovação. O questionário perguntou por cinco práticas, uma por andar do hotel. Toque num andar:
Definições das seções 1 e 3.1; perguntas do questionário (Apêndice, itens 5 a 9). Os exemplos de cada prática vêm da introdução da tese. Alturas iguais: o prédio é só um desenho.
De 1.167 artigos encontrados, 122 tratavam de fato do tema
O primeiro artigo da tese vasculhou três grandes bases de pesquisa (ScienceDirect, Scopus e Web of Science) atrás de estudos sobre ecoinovação e desempenho das empresas, de 1972 a maio de 2022. Depois de tirar repetidos e fora do foco, sobraram 122, que o autor contou, classificou e leu. Toque numa etapa ou troque a vista:
A maioria dos estudos confirmou o que buscava, mas poucos olharam só para serviços
O autor classificou cada um dos 122 artigos em oito categorias. Para ele, a literatura indica que a ecoinovação é decisiva para o desempenho das empresas, e faltam estudos que juntem pressão ambiental, práticas e competitividade. Troque a categoria:
Contagens dos Gráficos 2.6 a 2.10 (cada categoria soma 122). Altura = número de artigos.
233 hotéis e pousadas de várias regiões do Brasil responderam
O segundo artigo levou a pergunta a campo. Entre janeiro e junho de 2022, o autor mandou um questionário on-line a 474 hotéis e pousadas; 233 responderam, todos com respostas válidas. As perguntas, de um estudo com agências de viagem na Espanha, foram traduzidas e conferidas por retradução. As ligações entre as respostas foram medidas com equações estruturais (PLS-SEM).
Seções 3.4.1 e 3.4.2. O mínimo de 138 veio do G*Power; a taxa de resposta, 233 de 474 (49%), é conta nossa. A amostra é por conveniência: quem quis responder.
Tabela 3.2. Cada ponto é uma resposta. Tamanho pelo número de funcionários.
Os gestores concordam com as frases verdes, mas dizem que 2020 e 2021 encolheram o negócio
Antes das ligações, o retrato. Nas quatro ideias medidas por concordância, as médias ficaram entre “concordo parcialmente” e “concordo pouco”. Já o desempenho de 2020 e 2021, anos de pandemia, ficou perto de “diminuíram pouco”. Troque a régua:
A tese montou uma corrente de cinco elos, da pressão ao desempenho
A ideia: a pressão de clientes, concorrentes e governo leva o hotel a adotar práticas verdes; elas melhoram a operação e a competitividade; e a competitividade melhora o desempenho. Antes de ver os resultados, aposte em cada elo. Suas apostas aparecem no placar da tela 11.
Modelo da Figura 3.1 e hipóteses da seção 3.2. Toque numa seta ou numa aposta para ver as perguntas de cada ideia (Tabela 3.1).
Quem adota mais práticas verdes diz operar com menos custo e ser mais competitivo
Quatro dos cinco elos se confirmaram. A ligação mais forte é entre as práticas e a operação (0,553): quem adota mais práticas também diz gastar menos com água, luz e operação. As práticas também se ligam à competitividade, direto (0,392) e pela operação. Toque numa seta:
Modelo final, Tabela 3.15 e Figura 3.14. Espessura da seta = coeficiente padronizado. Na coluna, o caminho pela operação é 0,553 × 0,184 ≈ 0,102 (conta nossa; a tese não traz o teste estatístico desse efeito indireto). R² = parte das diferenças que o modelo explica.
A corrente para antes de chegar às vendas
O último elo não se confirmou: os hotéis que se dizem mais competitivos não relataram desempenho melhor em 2020 e 2021. A competitividade explica só 1,8% das diferenças no desempenho. Cada copo mostra quanto de uma ideia o modelo explica. Toque num copo e nos motivos:
R² da Tabela 3.15. Na escala da competitividade, 1 é concordar; na do desempenho, 5 é aumentar. Por isso o coeficiente sai negativo (−0,135): ele aponta na direção esperada, mas sem significância (p = 0,263).
Os de capital aberto e os que a pandemia ajudou se dizem mais competitivos
O autor comparou a competitividade média entre grupos de estabelecimentos. As diferenças mais claras aparecem no tipo de capital e no efeito da pandemia; hotéis e pousadas ficaram parecidos. Troque o grupo:
Médias de competitividade da Tabela 3.9 (ANOVA) e comparações par a par da Tabela 3.10 (Bonferroni). A régua mostra só o trecho de 1 a 4, com “concordo totalmente” à direita. n = número de respostas no grupo (Tabela 3.2).
Quatro dos cinco elos se confirmaram
A pressão se liga às práticas (H1); as práticas, à operação (H2) e à competitividade (H3); a operação, à competitividade (H4). Só o elo da competitividade com o desempenho (H5) ficou sem efeito claro. Toque numa coluna ou num cartão para comparar com a sua aposta:
Tabela 3.15 (modelo final, com tamanho e capital como controles). Altura = coeficiente, sem o sinal. Confirmada = como diz a tese.
Práticas verdes andam junto com uma operação mais enxuta, mas o efeito no caixa ainda precisa ser medido
Para quem gere hotéis e pousadas
As práticas ambientais podem reduzir custos operacionais e ser vistas como um diferencial pelos hóspedes que valorizam a sustentabilidade. (autor) Leitura nossa: a pesquisa mediu o que os gestores percebem, não as contas de água e luz.
Para o poder público
A frase sobre o governo promover a proteção ambiental no setor foi a de menor concordância na pressão, e o apoio público para uma produção mais limpa foi a pergunta da operação menos ligada às outras: para o autor, falta mais ação das autoridades. (autor)
Para quem pesquisa
Medir o desempenho com outras amostras e fora dos anos de pandemia, e preencher as lacunas da revisão: estudos que juntem pressão, práticas, competitividade e desempenho financeiro. (autor)
O que esta pesquisa não diz
- Amostra por conveniência. Os 233 que quiseram responder; os achados não se generalizam a todo o setor. · segundo o autor
- Sem região nem números exatos. A tese não sabe onde fica cada estabelecimento, e o tempo de atividade e o número de funcionários vieram por faixas. · segundo o autor
- Percepções. Tudo é o que os respondentes relataram, sem dados financeiros dos hotéis. · segundo o autor
- Desempenho de anos atípicos. Mediu-se a variação em 2020 e 2021, e a medida final ficou com vendas, alimentação e lazer (lucros e participação de mercado saíram por se repetirem demais). · observação nossa
- O caminho pela operação. Foi lido pelas setas; o teste do efeito indireto não aparece na tese. · observação nossa
Créditos
LOPES, José Luís. O impacto da ecoinovação no desempenho financeiro das empresas – um estudo para o setor de hotéis e pousadas no Brasil. Tese (Doutorado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2023. Orientador: Prof. Dr. Leonardo Fernando Cruz Basso.
Tese aprovada em 4 de agosto de 2023. Análises no jamovi, no Stata e no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.