Formar professores para ensinar a economia circular
Quem vai ensinar os futuros administradores a fechar o ciclo da produção, reaproveitando em vez de descartar? A tese desenhou e conduziu um programa de 40 horas para professores de Administração de uma instituição pública do Maranhão e acompanhou o que mudou no jeito de pensar e de agir de quem chegou até o fim. Explicada em 12 telas.
A economia de hoje anda em linha reta, do recurso ao lixo
Extrair, produzir, usar e jogar fora: esse é o modelo linear. A economia circular tenta fechar o ciclo, fazendo materiais e produtos voltarem para a produção. Para a tese, é um bom tema para formar professores porque obriga a pensar ao mesmo tempo no ambiente, na economia e nas pessoas. Compare os dois desenhos:
Desenho simplificado por nós. A tese usa o diagrama da Fundação Ellen MacArthur (Figura 2), conhecido como "diagrama de borboleta", com um ciclo técnico e um ciclo biológico.
O ensino de economia circular ainda olha mais para a técnica do que para a sociedade
Há jeitos bem diferentes de falar de economia circular. Uma classificação usada pela tese (Calisto-Friant e colegas, 2020) cruza duas perguntas: dá para crescer sem destruir o ambiente, rápido o bastante? (otimista ou cética) E a conversa inclui justiça social e participação política, ou só eficiência no uso de recursos? (holística ou segmentada). Toque num quadrante:
O pesquisador estudou, ouviu especialistas e depois deu o curso
Numa pesquisa-ação, quem pesquisa também intervém. O autor, professor da própria instituição, montou o programa em etapas: o que dizia a literatura, o que faziam especialistas, o que os colegas já sabiam. Depois conduziu o curso e entrevistou quem o concluiu. Toque numa etapa:
Seções 2.4, 3.3, 6 e 7 da tese. Barras na mesma escala dentro de cada etapa. As falas foram analisadas por análise temática (Braun e Clarke), procurando temas que se repetem.
Quem ensina o tema mistura conteúdo, campo e reflexão
Antes de montar o curso, o autor entrevistou 12 professores que ensinam economia circular: 8 no Brasil e 4 no Canadá, todos doutores, com 13 a 32 anos de sala de aula. Eles contaram 11 estratégias, que a tese agrupa em três famílias. Toque num bloco:
Estratégias e resultados esperados pelo Quadro 11 e pela seção 6.5.3; as famílias pela Figura 9. Cada bloco é uma estratégia citada, não uma contagem de quantos professores a usam (a tese não informa).
O difícil é ensinar o sistema inteiro, não só a reciclagem
Os especialistas listaram dez desafios para ensinar economia circular. Um deles foi "frequentemente citado", nas palavras da tese. Qual você acha que foi?
E o que o professor precisa ter
Desafios pela Figura 8 e pela seção 6.5.4; competências pela seção 6.5.5. A tese não conta quantos professores citaram cada desafio.
Oito encontros on-line, cada um pensado como uma fase da transformação
Na aprendizagem transformadora (Mezirow), a pessoa muda de perspectiva quando um dilema a faz questionar o que tinha como certo. O programa, oferecido pela própria instituição com certificado, seguiu essas fases. Toque num encontro:
Quadros 12 a 14 e seção 7.1. Remoto (Google Meet e Classroom) por causa da pandemia. Na tese, o 5º encontro não tem fase própria; o 3º e o 4º dividem duas fases.
Quatro dos seis deram sinais de rever as próprias premissas
Mezirow distingue três reflexões. Sobre o conteúdo (o que é o problema), sobre o processo (como resolvê-lo) e sobre as premissas, quando o próprio problema é questionado. Só a última costuma mudar a perspectiva. Nas entrevistas finais, o autor encontrou os três tipos. Toque num cubo:
Quadro 16 da tese. A grade pessoa × tipo é montada por nós a partir do quadro; PPA4 não aparece nele, mas aparece em outras análises (tela 11). A tese fala em "indícios": são relatos dos próprios participantes.
Cada participante desenhou um projeto para a economia da sua cidade
O trabalho final era um projeto de ensino, pesquisa ou extensão ligado à atividade econômica em volta do campus. Saíram seis, em seis setores. Nas entrevistas, apareceu mais: coisas que alguns fizeram sem ninguém pedir. Ligue as ações espontâneas e toque num bloco:
Projetos pelo Quadro 17 (a tese chama de "ação impulsionada"); ações espontâneas pelo Quadro 18. Pôr os projetos em prática não era objetivo da pesquisa; a tese não acompanhou se saíram do papel.
O tempo do professor é curto, e o curso precisou caber nele
O programa usou várias ferramentas para provocar reflexão. Algumas pegaram, outras não. Aposte em cada uma e depois veja o que o autor relatou:
A técnica utilizada (mentimeter) faz com que a gente escreva melhor, porque vai ser visualizado por outras pessoas […] Quando a gente é aluno, a gente fica inibido.PPA4, depois do programa
Acaba que nós não temos tempo de ler tudo. Quando a gente fica do outro lado nós somos alunos como nossos alunos.PPA4, depois do programa
Foi muito bom ouvir o que os colegas tinham a dizer. Acho que seria até melhor se tivessem mais participantes.PPA1, depois do programa
Seção 8 da tese (balanço do programa) e Quadro 20. O Mentimeter é um site em que cada um responde pelo celular, sem se identificar, e as respostas aparecem na hora para o grupo. A frequência nos encontros também foi inconstante, segundo o autor.
Mudar como educador passa por se ver de fora e conversar com os outros
Para ler as entrevistas, o autor usou as etapas de Patricia Cranton (2016) para a transformação de professores. Toque numa estação do caminho, ou veja o grupo antes, durante e depois:
Estações e falas pelo Quadro 20; antes, durante e depois pelo Quadro 21 da tese.
Para formar alunos críticos, primeiro é preciso formar professores críticos
A tese defende juntar a aprendizagem transformadora, na sua vertente social e crítica, com a educação para a economia circular. E conclui que não dá para depender só da motivação de cada professor: a universidade precisa abrir espaços de formação contínuos, não pontuais.
Para universidades e escolas de negócios
- Oferecer formação docente como política da instituição, com certificado e apoio, e não como iniciativa isolada.
- Levar o ensino de economia circular além da técnica: incluir trabalhadores, comunidades e justiça social.
Para quem forma professores
- Aproveitar ao máximo o tempo dos encontros: textos curtos, vídeos e perguntas na hora funcionaram melhor que leituras longas e diários semanais.
- Voltar às respostas do começo para que cada um perceba o que mudou.
Para professores de Administração
- Partir dos problemas e das atividades econômicas da cidade dos alunos.
- Misturar estratégias de conteúdo, de campo e crítico-reflexivas, em vez de escolher uma só.
O que esta pesquisa não diz
- Se vale para outros lugares. Foi um contexto geográfico e uma instituição específicos. · segundo o autor
- Como seria presencial e com alunos. O formato remoto veio da pandemia, e não houve alunos, comunidade, visitas técnicas nem muitas palestras. · segundo o autor
- Se as mudanças duram. Não houve acompanhamento ao longo do tempo; o autor sugere estudos longitudinais. · segundo o autor
- Seis pessoas e o relato delas. De 17 inscritos, 6 concluíram; os sinais de mudança vêm do que elas contaram, sem grupo de comparação. · observação nossa
- Projetos no papel. Os seis projetos foram planejados no curso; a tese não acompanhou sua execução. · observação nossa
Créditos
SANTOS, Veríssimo Nascimento Ramos dos. Aprendizagem transformadora na formação docente em Administração: uma pesquisa-ação pedagógica em Educação para a Economia Circular. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2023. Orientadora: Profa. Dra. Janette Brunstein.
Com apoio da CAPES e do Mackenzie, incluindo doutorado sanduíche na HEC Montréal, no Canadá. Os participantes são identificados só por código (P1 a P12 e PPA1 a PPA6). Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.