PPGAPPGA
Interativo
EN 01 / 12
Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2024

O chefe valoriza no outro o que aprendeu a ser

Por que alguns gestores promovem e outros violam a dignidade de quem trabalha com eles? A tese ouviu 93 trabalhadores e 12 gestores de contabilidade, finanças e auditoria e encontrou uma relação de espelho: o gestor tende a valorizar quem se parece com o que ele aprendeu a ser, muitas vezes na infância, e pode ferir quem é diferente. Explicada em 12 telas.

Autora: Carolina Moreira Otsuru Orientadora: Profa. Dra. Maria Luisa Mendes Teixeira Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
Parecido com o gestor: tende a ser promovido Diferente: corre mais risco
role
02 O problema

Em muitos escritórios, a dignidade ainda é ferida todo dia

A tese parte de uma lista de problemas que estudos anteriores encontraram em contabilidade, finanças e auditoria. Toque nos que você já viu ou viveu num trabalho:

Para a pesquisa, quem mais pesa nessa conta é o gestor: é no trato com a chefia que a dignidade de quem trabalha é promovida ou violada. A pergunta é por que um gestor age de um jeito ou de outro.

Problemas e consequências da introdução da tese, com base em estudos anteriores e nas categorias da pesquisadora Nora Jacobson (2009).

03 Como a pesquisa ouviu

De um lado quem é gerido, do outro quem gere

A autora ouviu os dois lados da relação, em grupos separados: os trabalhadores que responderam ao questionário não têm ligação com os gestores entrevistados. Toque num grupo:

126 respostas ao questionário
12 gestores entrevistados
Trabalhadores (respostas válidas) Gestores Histórias de vida em profundidade

Números da seção 3.4. Questionário com 13 perguntas, 4 delas abertas sobre situações vividas; entrevistas longas, gravadas e transcritas. Análise de conteúdo interpretativa: as categorias saíram das respostas.

04 Trabalhadores · 58 relatos de violação

Para quem trabalha, o que mais fere é o assédio moral

A pergunta do questionário pedia uma situação em que a dignidade foi violada no trabalho. As 58 frases viraram cinco grandes grupos, organizados pela lei do assédio de 2023 e pela CLT. Toque numa coluna:

Contagens da seção 4.1.1 e da Figura 7. Cada frase é de um respondente, identificado só pelo código da tese (P, T ou G e um número).

05 Trabalhadores · 84 relatos de promoção

O que mais faz alguém se sentir digno é ser reconhecido

Outra pergunta pedia uma situação em que a dignidade foi promovida. Antes de ver, dê seu palpite: qual destes grupos apareceu mais?

Frases por grupo

Contagens da seção 4.1.2 e da Figura 8. A tese fala em 84 frases; somados, os números que ela dá por grupo chegam a 86. Mostramos os números como estão no texto.

06 Trabalhadores × gestores

Gestores e trabalhadores olham a dignidade de lugares diferentes

Nas entrevistas, os 12 gestores também disseram o que, para eles, viola e promove a dignidade. Algumas ideias aparecem dos dois lados; outras, só de um. Escolha o tema e toque num item:

Figuras 11 e 12 e seções 4.3 e 4.4. As explicações para as diferenças são da autora e aparecem como possibilidades, não como coisa medida.

07 O inesperado

Quase nenhum gestor falou de discriminação

Os trabalhadores relataram 12 situações de discriminação, de seis tipos diferentes. Quantos dos 12 gestores entrevistados você acha que tocaram no assunto?

3 × 0frases de assédio sexual entre trabalhadores × gestores que citaram o tema
6 × 2tipos de discriminação lembrados por trabalhadores × pelo único gestor que falou do assunto

Seções 4.1.1 e 4.3. Para a autora, isso pode indicar que a discriminação não está sendo reconhecida pelos gestores, e pede sensibilização e treinamento. Os tipos "instituição de ensino" e "status social" vêm somados na tese (4 frases).

08 A lente da tese

A gente aprende olhando para quem está por perto

Para explicar o jeito de cada gestor, a autora usou a teoria da aprendizagem social, do psicólogo Albert Bandura: aprendemos observando e imitando pessoas de referência, como pais, avós e professores. Percorra as etapas com exemplos dos gestores:

Modelo da Figura 20 (seção 4.6), adaptado de Bandura. Os exemplos são dos seis gestores ouvidos em profundidade.

09 Seis gestores, contados por eles mesmos

O que cada gestor aprendeu volta como o que ele cobra

Seis entrevistas foram fundo na história de vida. Em cada uma, a autora ligou com quem e o que o gestor aprendeu ao que ele valoriza ou desvaloriza na equipe e ao modo como promove ou viola a dignidade. Escolha um gestor:

Figuras 13 a 18 e seções 4.5.1 a 4.5.6. A figura do centro é a da tese: dois rostos de perfil ou um vaso, conforme o olhar (figura e fundo); o que se valoriza tem sempre um fundo, o que se desvaloriza. Os gestores aparecem só pelo código da tese.

10 A descoberta

A mesma gestão promove uns e fere outros

A tese chama isso de relação de espelho: o gestor valoriza nos outros o que aprendeu a ser. Quem se parece com ele tende a ganhar reconhecimento e espaço; quem é diferente corre mais risco de ser vigiado, ignorado ou demitido. Por isso, diz a autora, a gestão não é só promotora ou só violadora: é as duas coisas. Monte um gestor com até três valores:

Espelha o gestor: promoção, reconhecimento Diferente: risco de violação Diferente, mas acolhido

Ilustração nossa: a equipe é inventada. Os valores e as reações vêm do modelo-síntese da tese (Figura 19) e das seis histórias; a tese não mede quantos funcionários são promovidos ou prejudicados.

11 Do passado para o presente

O que se aprendeu na infância pesa, mas não decide tudo

Os gestores ouvidos aprenderam sobretudo com pais e avós, gente com mais de 70 anos, formada em meados do século passado. Daí vêm valores como lealdade, trabalho árduo, dedicação, obediência e sacrifício. Mas a tese mostra uma saída: refletir sobre a própria história. Uma das pessoas entrevistadas, E10, ouviu humilhações de figuras de autoridade da família na infância e conta que a terapia, os estudos e as conversas com o filho ajudaram a não repetir isso com a equipe.

Seções 4.5.5, 4.5.7 e 4.6 (contexto histórico e autorregulação no modelo da Figura 20). Os andares são ilustração nossa a partir do caso de E10.

12 E daí?

Mudar a gestão começa por olhar a história de quem gere

Para a autora, muitos gestores repetem sem perceber o que aprenderam em casa. Ela pede um olhar empático para eles, mas também ações concretas, porque quem paga a conta da violação é quem trabalha.

Formar gestores

  • Cursos sobre o que viola e o que promove a dignidade, com foco em contabilidade, finanças e auditoria.
  • Atenção ao que os gestores mal enxergam: discriminação, assédio sexual, direitos.

Ouvir quem trabalha

  • Canais de denúncia confidenciais e seguros, com campanhas de conscientização.
  • Garantir que cada relato leve a uma ação.

Olhar a própria história

  • Intervenções terapêuticas para gestores revisitarem o que aprenderam e o que valorizam.
  • A autora sugere considerar as aprendizagens de vida dos candidatos na seleção de gestores.

O que esta pesquisa não diz

  • Como os gestores agem de fato. Não houve observação no local de trabalho; tudo vem do que as pessoas contaram. · segundo a autora
  • Como foi a infância, medida. A aprendizagem foi reconstruída pela memória dos entrevistados; alguns nem eram mais gestores. · segundo a autora
  • Se vale para outros grupos. Todos os gestores entrevistados são brancos, da região Sudeste, de áreas contábeis, financeiras e de auditoria. · segundo a autora
  • Se é o mesmo gestor e a mesma equipe. Trabalhadores e gestores vieram de grupos diferentes, e as histórias de vida são seis; o espelho é uma proposta de leitura, não um teste. · observação nossa

Créditos

Como citar
OTSURU, Carolina Moreira. A dignidade na gestão dos trabalhadores: uma visão a partir da teoria da aprendizagem social. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientadora: Profa. Dra. Maria Luisa Mendes Teixeira.

Doutorado com isenção integral do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da universidade. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.