O chefe valoriza no outro o que aprendeu a ser
Por que alguns gestores promovem e outros violam a dignidade de quem trabalha com eles? A tese ouviu 93 trabalhadores e 12 gestores de contabilidade, finanças e auditoria e encontrou uma relação de espelho: o gestor tende a valorizar quem se parece com o que ele aprendeu a ser, muitas vezes na infância, e pode ferir quem é diferente. Explicada em 12 telas.
Em muitos escritórios, a dignidade ainda é ferida todo dia
A tese parte de uma lista de problemas que estudos anteriores encontraram em contabilidade, finanças e auditoria. Toque nos que você já viu ou viveu num trabalho:
Para a pesquisa, quem mais pesa nessa conta é o gestor: é no trato com a chefia que a dignidade de quem trabalha é promovida ou violada. A pergunta é por que um gestor age de um jeito ou de outro.
Problemas e consequências da introdução da tese, com base em estudos anteriores e nas categorias da pesquisadora Nora Jacobson (2009).
De um lado quem é gerido, do outro quem gere
A autora ouviu os dois lados da relação, em grupos separados: os trabalhadores que responderam ao questionário não têm ligação com os gestores entrevistados. Toque num grupo:
Números da seção 3.4. Questionário com 13 perguntas, 4 delas abertas sobre situações vividas; entrevistas longas, gravadas e transcritas. Análise de conteúdo interpretativa: as categorias saíram das respostas.
Para quem trabalha, o que mais fere é o assédio moral
A pergunta do questionário pedia uma situação em que a dignidade foi violada no trabalho. As 58 frases viraram cinco grandes grupos, organizados pela lei do assédio de 2023 e pela CLT. Toque numa coluna:
Contagens da seção 4.1.1 e da Figura 7. Cada frase é de um respondente, identificado só pelo código da tese (P, T ou G e um número).
O que mais faz alguém se sentir digno é ser reconhecido
Outra pergunta pedia uma situação em que a dignidade foi promovida. Antes de ver, dê seu palpite: qual destes grupos apareceu mais?
Contagens da seção 4.1.2 e da Figura 8. A tese fala em 84 frases; somados, os números que ela dá por grupo chegam a 86. Mostramos os números como estão no texto.
Gestores e trabalhadores olham a dignidade de lugares diferentes
Nas entrevistas, os 12 gestores também disseram o que, para eles, viola e promove a dignidade. Algumas ideias aparecem dos dois lados; outras, só de um. Escolha o tema e toque num item:
Figuras 11 e 12 e seções 4.3 e 4.4. As explicações para as diferenças são da autora e aparecem como possibilidades, não como coisa medida.
Quase nenhum gestor falou de discriminação
Os trabalhadores relataram 12 situações de discriminação, de seis tipos diferentes. Quantos dos 12 gestores entrevistados você acha que tocaram no assunto?
Seções 4.1.1 e 4.3. Para a autora, isso pode indicar que a discriminação não está sendo reconhecida pelos gestores, e pede sensibilização e treinamento. Os tipos "instituição de ensino" e "status social" vêm somados na tese (4 frases).
A gente aprende olhando para quem está por perto
Para explicar o jeito de cada gestor, a autora usou a teoria da aprendizagem social, do psicólogo Albert Bandura: aprendemos observando e imitando pessoas de referência, como pais, avós e professores. Percorra as etapas com exemplos dos gestores:
Modelo da Figura 20 (seção 4.6), adaptado de Bandura. Os exemplos são dos seis gestores ouvidos em profundidade.
O que cada gestor aprendeu volta como o que ele cobra
Seis entrevistas foram fundo na história de vida. Em cada uma, a autora ligou com quem e o que o gestor aprendeu ao que ele valoriza ou desvaloriza na equipe e ao modo como promove ou viola a dignidade. Escolha um gestor:
Figuras 13 a 18 e seções 4.5.1 a 4.5.6. A figura do centro é a da tese: dois rostos de perfil ou um vaso, conforme o olhar (figura e fundo); o que se valoriza tem sempre um fundo, o que se desvaloriza. Os gestores aparecem só pelo código da tese.
A mesma gestão promove uns e fere outros
A tese chama isso de relação de espelho: o gestor valoriza nos outros o que aprendeu a ser. Quem se parece com ele tende a ganhar reconhecimento e espaço; quem é diferente corre mais risco de ser vigiado, ignorado ou demitido. Por isso, diz a autora, a gestão não é só promotora ou só violadora: é as duas coisas. Monte um gestor com até três valores:
Ilustração nossa: a equipe é inventada. Os valores e as reações vêm do modelo-síntese da tese (Figura 19) e das seis histórias; a tese não mede quantos funcionários são promovidos ou prejudicados.
O que se aprendeu na infância pesa, mas não decide tudo
Os gestores ouvidos aprenderam sobretudo com pais e avós, gente com mais de 70 anos, formada em meados do século passado. Daí vêm valores como lealdade, trabalho árduo, dedicação, obediência e sacrifício. Mas a tese mostra uma saída: refletir sobre a própria história. Uma das pessoas entrevistadas, E10, ouviu humilhações de figuras de autoridade da família na infância e conta que a terapia, os estudos e as conversas com o filho ajudaram a não repetir isso com a equipe.
Seções 4.5.5, 4.5.7 e 4.6 (contexto histórico e autorregulação no modelo da Figura 20). Os andares são ilustração nossa a partir do caso de E10.
Mudar a gestão começa por olhar a história de quem gere
Para a autora, muitos gestores repetem sem perceber o que aprenderam em casa. Ela pede um olhar empático para eles, mas também ações concretas, porque quem paga a conta da violação é quem trabalha.
Formar gestores
- Cursos sobre o que viola e o que promove a dignidade, com foco em contabilidade, finanças e auditoria.
- Atenção ao que os gestores mal enxergam: discriminação, assédio sexual, direitos.
Ouvir quem trabalha
- Canais de denúncia confidenciais e seguros, com campanhas de conscientização.
- Garantir que cada relato leve a uma ação.
Olhar a própria história
- Intervenções terapêuticas para gestores revisitarem o que aprenderam e o que valorizam.
- A autora sugere considerar as aprendizagens de vida dos candidatos na seleção de gestores.
O que esta pesquisa não diz
- Como os gestores agem de fato. Não houve observação no local de trabalho; tudo vem do que as pessoas contaram. · segundo a autora
- Como foi a infância, medida. A aprendizagem foi reconstruída pela memória dos entrevistados; alguns nem eram mais gestores. · segundo a autora
- Se vale para outros grupos. Todos os gestores entrevistados são brancos, da região Sudeste, de áreas contábeis, financeiras e de auditoria. · segundo a autora
- Se é o mesmo gestor e a mesma equipe. Trabalhadores e gestores vieram de grupos diferentes, e as histórias de vida são seis; o espelho é uma proposta de leitura, não um teste. · observação nossa
Créditos
OTSURU, Carolina Moreira. A dignidade na gestão dos trabalhadores: uma visão a partir da teoria da aprendizagem social. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientadora: Profa. Dra. Maria Luisa Mendes Teixeira.
Doutorado com isenção integral do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da universidade. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.