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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2024

Quem forma os professores para a sustentabilidade?

Muitas universidades têm um Centro de Ensino e Aprendizagem, que ajuda os professores a ensinar melhor. A tese olhou os Centros de 101 universidades de destaque em rankings de sustentabilidade e perguntou se eles levam a educação para o desenvolvimento sustentável a todos os professores. Por enquanto, quase nunca. Explicada em 12 telas.

Autora: Luciane de Paula Soutello Orientadora: Profa. Dra. Janette Brunstein Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
Os três degraus da escalagem da educação para a sustentabilidade, segundo a tese (Figura 22)
ODS da ONU mais próximo
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02 A ideia de fundo · aprendizagem transformadora

Ensinar sustentabilidade não é só acrescentar conteúdo

A educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) quer formar pessoas capazes de enfrentar desafios ambientais, sociais e econômicos. A tese defende que isso pede mais do que uma aula a mais: pede rever pressupostos, valores e visão de mundo.

Para isso, ela usa a teoria da aprendizagem transformadora, de Jack Mezirow. Nela, a mudança começa com um dilema desorientador, algo que abala o jeito como a pessoa entende o mundo, e passa pela reflexão crítica sobre as próprias crenças.

“A diferença entre um futuro sustentável e um futuro caótico é a aprendizagem.” · Stephen Sterling (2001), na epígrafe da tese

Fases conforme o Quadro 7 da tese (Mezirow, 1991, 1997, 2000). A comparação “só informar” é uma leitura nossa para ilustrar a diferença.

03 O conceito · escalagem

Escalar é ir mais longe e mais fundo

Os Centros de Ensino e Aprendizagem existem há cerca de 50 anos e ganharam fama por cuidar da qualidade do ensino: oferecem formação, consultoria e espaço para os professores experimentarem novas práticas. Cada Centro chega a muitos professores, e cada professor a muitos alunos.

Por isso a tese os vê como um caminho para escalar a EDS. E escalar, para a autora, não é só ter mais Centros ou mais programas: é também a profundidade com que eles mudam as práticas e a formação dos professores.

Na literatura, escalar pode ser… ampliar o número de pessoas ou a área atendida; diversificar atividades; influenciar políticas; fortalecer a organização (Uvin, 1995).
…e pode acontecer por expansão dentro da própria organização, réplica por outras organizações ou difusão espontânea de uma boa ideia (Hartmann e Linn, 2008).

Esquema ilustrativo: os números de professores e alunos são inventados, só para mostrar a ideia.

04 O método · análise de documentos

Uma lupa sobre os sites de 101 universidades de destaque

A autora não entrevistou ninguém. Ela leu o que os Centros publicam: páginas, missões, planos, cursos e relatórios. É uma pesquisa qualitativa, de documentos.

  1. Escolheu as universidades com nota 9 ou mais em cinco rankings de sustentabilidade, ODS ou da América Latina: 101.
  2. Procurou nos sites uma estrutura dedicada ao ensino e aprendizagem: achou em 76.
  3. Catalogou 337 itens desses Centros numa régua de 6 eixos e 27 indicadores, montada a partir da literatura (próxima tela).

Os rankings serviram só para escolher universidades de referência; a tese não analisa as notas.

toque numa etapa do funil

05 A régua · framework da tese

Seis eixos para medir se um Centro espalha sustentabilidade

A partir da literatura, a autora montou uma régua com 6 eixos e 27 indicadores: do compromisso escrito na missão até a formação de professores em sustentabilidade. Toque num eixo para ver o que ele procura.

A régua foi pensada para crescer com os dados. Ao ler os Centros, apareceram 8 práticas que ela não previa, como laboratórios vivos, ePortfólios e rubricas de avaliação. Com elas, a régua passou a ter 35 indicadores.

06 Faça a leitura da autora

Este Centro fala de sustentabilidade?

Os trechos ao lado vêm de missões, estratégias e páginas de Centros reais, citados na tese (traduzidos pela autora e encurtados por nós). Para cada um, diga se ele assume um compromisso com a sustentabilidade ou só com a qualidade do ensino.

Atenção às palavras que parecem, mas não são: “transformador”, “inovação” e “reflexão” aparecem muito nos Centros.

07 O que encontrou · 76 Centros

Poucos Centros dizem trabalhar com sustentabilidade

Cada quadradinho é um dos 76 Centros. Escolha uma pergunta e veja quantos responderam “sim” no que publicam.

15de 76 Centros

Fonte: Figuras 11 e 14 da tese.

08 A descoberta · compromisso institucional

A sustentabilidade mora no andar de cima

Nas universidades, a sustentabilidade aparece na estratégia da instituição. Mas não desce para o Centro, que é quem trabalha direto com os professores. A autora vê aí uma desconexão: o compromisso existe no papel da universidade e quase some onde a formação acontece.

As missões dos Centros falam de qualidade do ensino, experiência dos alunos, tecnologia e formação docente. São objetivos legítimos, mas nenhuma assume um compromisso explícito com a sustentabilidade, a EDS ou os ODS.

A imagem de dois andares é uma metáfora nossa. Escolha um indicador do Eixo 1 para ver o que a autora achou em cada nível.

09 Eixos 2 a 6 · o que os Centros fazem

Fazem muita coisa boa, mas raramente ligam à sustentabilidade

Nos outros cinco eixos, a autora achou práticas com potencial transformador. O problema é o elo com a EDS: os Centros descrevem os métodos, mas quase nunca dizem que servem à sustentabilidade. Vire cada cartão.

Resumo das seções 4.1.3.2 a 4.1.3.6 da tese.
10 A proposta · três degraus

O próximo degrau: Centros de aprendizagem transformadora

A tese termina com um caminho em três degraus. Primeiro, a universidade assume a EDS. Depois, os Centros a levam para a sala de aula. No alto, os Centros de Ensino e Aprendizagem Transformadora (CEAT) juntam a EDS à reflexão crítica e mudam alunos, professores e a própria instituição.

No meio do caminho há outro ator: os Centros de Sustentabilidade, que crescem nas universidades. Eles cuidam do campus verde, de energia e de resíduos, não da formação dos professores. Sem conversa entre os dois tipos de Centro, a autora vê um limite para a escalagem.

11 Por que isso importa

Pôr a sustentabilidade onde o professor aprende a ensinar

Para a autora, os Centros têm grande potencial para escalar a EDS, mas só se mudarem de papel: de promotores da qualidade do ensino para catalisadores de mudança de visão de mundo.

Para os Centros

  • Escrever a EDS no plano estratégico e em políticas próprias, não só nas da universidade.
  • Formação de professores contínua, com reflexão crítica sobre as próprias práticas.
  • Ligar o e-learning e as tecnologias à EDS, para alcançar mais gente.
Seções 5.3 e 5.3.1 a 5.3.3 da tese

Para a gestão da universidade

  • Uma governança que una a estratégia da instituição ao trabalho dos Centros.
  • Aproximar os Centros de Sustentabilidade dos Centros de Ensino e Aprendizagem.
  • Medir o impacto das iniciativas de EDS nas comunidades.
Seções 5.2, 5.3 e 5.3.4 da tese

Para professores

  • Espaços para rever as próprias práticas e pressupostos, não só receber conteúdo.
  • Levar questões ecológicas, sociais, culturais e econômicas para todas as disciplinas.
Seções 5.3.2 e 5.3.5 da tese

Para quem avalia universidades

  • A régua de 6 eixos e 35 indicadores pode servir de checklist para um Centro.
  • Uma boa posição em ranking de sustentabilidade não garante que a EDS chegue à formação dos professores.
Leitura nossa das seções 5.1 e 5.3
12 Limites e créditos

O que esta pesquisa não diz

  • Só o que está publicado. Os documentos dos Centros são, às vezes, desatualizados e fragmentados. O que não está no site pode existir na prática; a autora sugere entrevistar gestores, professores e alunos. · segundo a autora
  • Uma elite acadêmica. Só entraram universidades no topo dos rankings; universidades com outro perfil podem ser diferentes. · segundo a autora
  • Achados provisórios. O estudo é exploratório e descritivo, sobre um fenômeno ainda em fase inicial. · segundo a autora
  • Centros de Sustentabilidade, só de passagem. Eles merecem um estudo próprio, comparado aos de Ensino e Aprendizagem. · segundo a autora

Créditos

Como citar
SOUTELLO, Luciane de Paula. A importância dos Centros de Ensino e Aprendizagem na escalagem da Educação para o Desenvolvimento Sustentável no ensino superior. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientadora: Profa. Dra. Janette Brunstein.

Pesquisa qualitativa com análise documental (análise de template) dos sites e documentos de Centros de Ensino e Aprendizagem. Apoio do MackPesquisa (Fundo Mackenzie de Pesquisa). Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; os trechos de cada Centro e as discussões completas estão no texto original.