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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2025

Quando o algoritmo entra no RH, ele é ferramenta ou colega?

Painéis, sistemas e inteligência artificial chegaram à gestão de pessoas com a promessa de decisões baseadas em dados. A tese ouviu 10 diretores e parceiros de negócio de RH da indústria farmacêutica brasileira e conclui que esse People Analytics age como um ator: muda metas, tarefas e o próprio profissional. Disso nasce uma nova crise, a da hibridização. Explicada em 12 telas.

Autor: Ilton Luiz Assi Orientador: Prof. Dr. Almir Martins Vieira Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pessoas (azul) e algoritmos (vermelho) passam a decidir juntos (roxo, na mesa do meio). Arraste para girar.

ODS da ONU mais próximos
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02 A pergunta

Ferramenta ou ator? Depende da lente com que se olha

People Analytics é o uso de dados, sistemas e algoritmos para decidir sobre pessoas: quem contratar, quem pode sair, como está o clima. A tese olha para ele com duas lentes ao mesmo tempo. Troque a lente e escolha um aspecto.

Tabela 12 e seção 1.6. Lente 1: Teoria da Construção Social da Realidade (Berger e Luckmann, 1966). Lente 2: Teoria Ator-Rede (Latour e Callon), que trata pessoas e coisas com o mesmo olhar. A rede é um esquema nosso.

03 Como a pesquisa olhou · entrevistas

Dez líderes de RH de dez farmacêuticas contaram como os dados entraram na rotina

Entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, o autor entrevistou 6 diretores e 4 parceiros de negócio de RH (os HRBPs), quase sempre no escritório de cada um. Todos respondem ao presidente da empresa e nenhum se conhecia. Veja quem são.

Colorir por
10 entrevistados
10 empresas
62 minde conversa, em média, por entrevista
~11 hpara transcrever cada uma, à mão
197páginas de transcrição no total

Tabelas 10 e 11 e seções 2.3 e 2.4. As contagens são da tese. A numeração das empresas é a da Tabela 11; a tese não diz se a empresa 3 é a do entrevistado 03, então não ligamos as duas fileiras. Para preservar o anonimato, não mostramos gênero por pessoa (7 mulheres e 3 homens no total).

04 Como a pesquisa olhou · análise temática reflexiva

Faça o que o autor fez: leia uma fala e diga a que tema ela pertence

As entrevistas foram lidas e relidas no programa NVivo. Cada trecho ganhou um código, os códigos foram agrupados e, no fim, sobraram três grandes temas. Escolha o tema de cada fala.

Seções 2.5.1 a 2.5.5 e Figura 14. Os 11 subtemas são contagem nossa na Figura 14 (5 + 2 + 4). As falas foram traduzidas por nós do inglês da tese; as entrevistas foram feitas em português, mas a transcrição original não foi publicada. A tese diz que o software ajudou a organizar, mas a interpretação foi do pesquisador.

05 Resultados · tema 1, a tradução da realidade

Antes de gerar valor, o dado precisa convencer

Nenhuma empresa adotou o People Analytics de uma vez. O caminho começa em dúvidas, passa por alianças e sistemas e, quando dá certo, reorganiza o RH. Depois, novas dúvidas aparecem e o ciclo recomeça. Toque em cada etapa.

Figura 15 e seção 3.1. As cinco etapas seguem a Figura 15, inspirada nos "momentos da tradução" de Callon (1986) e Latour. Falas traduzidas por nós do inglês da tese.

06 Resultados · tema 1, a inscrição

Muitos sistemas, pouca conversa entre eles

O People Analytics só existe quando vira coisa: software, painel, algoritmo. Os entrevistados citaram 15 ferramentas, e quase todos reclamaram de sistemas que não se falam. Cada barra mostra quantos citaram a ferramenta; toque numa.

8 de 10descreveram sistemas fragmentados
6 de 10pediram "uma ferramenta só, não várias"
1 de 10usa o módulo de People Analytics do sistema de gestão da empresa

"Usamos 10, 15, 20% do que ele pode entregar."E01, sobre o sistema de RH

Seções 3.1.2 e 3.1.3. Quem citou cada ferramenta é contagem nossa na lista da seção 3.1.3.2 (mais um uso de ChatGPT citado logo depois). "Visier" aparece na tese também como "Vizier". As marcas são as que os entrevistados citaram; a tese não avalia nenhuma delas.

07 Resultados · tema 2, a objetividade exigida

Fatos em vez de impressões: os dados mudaram uma conversa com o presidente

Em uma das empresas, o presidente achava que um concorrente estava levando os talentos da casa. O RH olhou as 16 saídas no sistema de análise. Compare a impressão com os dados.

Admissão digital (E02)
de 2 horas digitando cada admissão para 30 minutos revisando
Análises (E06)
o que levava dois, três, quatro dias agora sai em horas

Seções 3.1.2, 3.2.2 e 4.2. O desenho das 16 saídas é nosso: a tese diz só que 1 das 16 pessoas era classificada como talento e que as 16 foram para empresas diferentes. As barras de tempo são proporcionais ao que os entrevistados contaram (para "em horas", usamos meio dia como referência, leitura nossa). Para a tese, essa objetividade não vem pronta nos dados: precisa ser validada e ganhar valor aos olhos das pessoas.

08 Resultados · tema 2, a mediação do algoritmo

O algoritmo não só obedece: ele desvia, cria, assume e transforma

Inspirado em Bruno Latour, o autor mostra quatro jeitos pelos quais o People Analytics mexe no que o RH queria fazer. Escolha um e veja a meta entrar e sair do algoritmo.

Seções 3.2.3 e 4.2.3, a partir de Latour (2001), A esperança de Pandora. Os exemplos são dos entrevistados; o desenho do caminho é esquema nosso. Falas traduzidas por nós do inglês da tese.

09 Resultados · tema 3, as relações híbridas

Sistema sobrando, gente sem tempo

No dia a dia, a convivência entre pessoas e algoritmos esbarra em quatro tensões. O paradoxo que a tese destaca: o profissional está sobrecarregado enquanto o sistema fica subutilizado. Vire os cartões.

Sistema de RH
10 a 20% usado (E01)
Um dia de HRBP (E02)
operaçõesremuneraçãoparceriasaúde e seg.frota

"[…] então hoje eu cuido da parte de operações, de remuneração e benefícios, sou parceiro de negócio das áreas funcionais, cuido de saúde e segurança e de frota […] é um monstrinho."E02

Seções 3.3.1 a 3.3.3 e Apêndice B. A faixa listrada mostra a faixa de 10 a 20% dita por E01, não uma medição. Os cinco blocos do dia de E02 são as cinco áreas citadas, sem tamanho real. Falas traduzidas por nós.

10 A descoberta

Uma sexta crise na escada das empresas: a da hibridização

O pesquisador Larry Greiner descreveu o crescimento das organizações como uma escada de fases e crises: cada período de crescimento planta a crise seguinte. A tese propõe um sexto degrau, a algoritmização, e com ele uma crise nova. Toque nos degraus.

Figuras 20 e 23 e seções 3.3 e 4.3. A tese usa o modelo de Greiner na versão de 1998. O próprio autor apresenta a sexta fase como uma lente teórica, não como um estágio universal comprovado. As alturas dos degraus são esquema.

11 O inesperado

Quanto mais humana a IA parece, mais fácil esquecer o que ela é

Antes de ver o resultado: como você chamaria a inteligência artificial que usa no trabalho?

Facilidade de aceitar a IAsobe
Lembrar que é estatística, com riscosdesce

Seção 4.3.1 e Figura 23. Os apelidos estão na seção 4.3.1, sem o código de quem falou. O controle é uma ilustração nossa da ideia da tese, o "paradoxo antropomórfico": as barras não têm números, só mostram a direção que o autor descreve.

12 Na prática, limites e créditos

Usar os algoritmos sem entregar a eles o julgamento

Profissionais de RH

Aprender a ler dados com senso crítico: saber de onde eles vêm, que vieses carregam e como o algoritmo transforma pessoas em números. Fazer as perguntas certas antes de pedir respostas.

Empresas

Governança de dados e de IA com dono, regras e papéis claros. Sistemas que conversam entre si e pilotos antes de espalhar uma ferramenta, como os entrevistados aprenderam.

Líderes de RH

Conduzir a mudança: traduzir a nova realidade para as equipes, lidar com resistências e investir em requalificação. Desenhar processos em que a máquina calcula e as pessoas interpretam.

Todos

Manter um "ceticismo humanista": usar a IA como ferramenta poderosa, nunca como oráculo. Garantir que toda decisão do algoritmo possa ser revista e contestada por uma pessoa.

O que esta pesquisa não diz

  • Só ouviu quem decide. Diretores e parceiros de negócio de RH falaram; os empregados, que são medidos pelos sistemas, ficaram de fora. A tese pede essa pesquisa.
  • Dez pessoas de um setor. A indústria farmacêutica tem hierarquia forte e muita regulação; o retrato não vale como estatística para outros setores.
  • Um retrato de um momento. As ferramentas mudam rápido; o autor aposta que as dinâmicas humanas descritas duram mais.
  • A crise da hibridização é uma proposta teórica. Ela organiza o que as entrevistas mostram, mas não foi medida nem comparada entre empresas. · observação nossa
  • As falas passaram por duas traduções: do português para o inglês na tese e de volta para o português aqui. · observação nossa

Créditos

Como citar
ASSI, Ilton Luiz. The hybridization crisis: people analytics as an actor in the resignification of Human Resource Management in the Brazilian Pharmaceutical Industry. Tese (Doutorado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Almir Martins Vieira.

O trabalho teve apoio da CAPES. O autor usou o DeepL para melhorar a legibilidade do texto em inglês e revisou tudo; a licença do NVivo, comprada pelo autor, tem uma ferramenta de IA, mas a interpretação dos temas foi do pesquisador. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; as falas completas e as referências estão no texto original.