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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2025

As emoções que entram nas decisões dos gestores

Demitir alguém, contratar, cortar custos: o gestor decide com a cabeça ou com o coração? A tese conversou com nove gestores de Campo Grande (MS) e encontrou emoção nas decisões que eles contaram, inclusive nas que chamavam de racionais. A conclusão da autora é que a emoção ajuda quando o gestor aprende a lidar com ela, e por isso ela propõe a educação emocional. Explicada em 12 telas.

Autora: Luciana Auxiliadora Guimarães Fonseca Curvo Orientador: Prof. Dr. Almir Martins Vieira Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
A decisão Emoções que os gestores citaram Emoção que ninguém citou
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02 A ideia de partida · o modelo da tese

Decidir só com a razão também dá errado

A pesquisa parte do modelo de Ashton-James e Ashkanasy (2008): emoção sem razão leva a decisões impulsivas; razão sem emoção leva a decisões frias, sem empatia. Mova o controle e veja o que acontece em cada ponta:

só razãoas duassó emoção
Phineas Gage, 1848. A tese conta o caso, a partir de Damásio: uma barra de ferro atravessou a parte da frente do cérebro de um capataz de obra. Ele sobreviveu, falava e andava bem, mas passou a decidir mal, sem se importar com quem estava em volta. Para Damásio, emoção e razão trabalham juntas.

Modelo da Figura 10 (seção 3.2) e caso do Quadro 2 da tese. O controle e as três faixas são ilustração nossa; as falas são dos gestores, com o código da tese.

03 O método · entrevistas em profundidade

Nove gestores contaram decisões difíceis

Todos decidem em posição estratégica em empresas privadas de Campo Grande, a cidade com a maior fatia das novas empresas de Mato Grosso do Sul, e têm sete anos ou mais de gestão. Escolha um recorte:

9entrevistas: 3 presenciais e 6 por Zoom
6 e 3mulheres e homens
7têm de 40 a 50 anos; 2, de 30 a 39

As perguntas partiram das cinco emoções básicas de Paul Ekman (alegria, tristeza, raiva, medo e nojo ou aversão) e do modelo da tela anterior. Depois, a autora transcreveu cada conversa à mão e seguiu as seis fases da análise temática de Braun e Clarke. Toque em cada fase:

Quadros 4, 5 e 6 e seção 3.2. Para não identificar ninguém, as figuras se reordenam a cada recorte e não seguem os códigos G1 a G9; gênero aparece só no total. Agrupamento dos cargos e dos setores é nosso.

04 Tema 1 · emoções vividas no trabalho

Das cinco emoções básicas, uma não apareceu nas conversas

Antes de ver: qual destas emoções nenhum dos nove gestores citou?

Altura = número de códigos de cada emoção no Quadro 7 (contagem nossa); falas da seção 4.1. As falas sobre discriminação aparecem sem código, para não identificar quem falou.

05 Resultado · o mapa da análise

As conversas viraram sete temas e 24 subtemas

Cada trecho das falas ganhou um código; os códigos foram agrupados em subtemas e temas. Cada coluna é um tema, e cada camada, um subtema, com espessura pelo número de códigos. Toque numa coluna:

Temas, subtemas e códigos do Quadro 7; contagens nossas (80 códigos; o "contexto cultural", com três desdobramentos, conta como um). O mapa geral (Figura 11) usa alguns nomes diferentes; seguimos o quadro. Mais códigos não quer dizer que o tema foi mais falado: a tese não conta trechos.

06 Tema 2 · percepção das emoções na decisão

A decisão que parecia só racional também tinha emoção

Alguns gestores disseram que a emoção não interfere. A autora então fazia mais uma pergunta. Escolha uma conversa e avance fala por fala:

Diálogos das seções 4.2.1 e 4.2.4, falas de G7 na 4.2.2. Etapas do modelo de Ashton-James e Ashkanasy (2008), que dizem que a emoção influencia o processo e o conteúdo da decisão. Onde a fala marcava o gênero, cortamos com […]. Desenho nosso.

07 Tema 3 · regulação emocional

Os gestores contaram cinco jeitos de regular as emoções

O que você faz quando precisa decidir de cabeça quente? Marque o que usa e compare com a sua coluna, a última da grade:

Estratégias da seção 4.3; quem aparece em cada uma é contagem nossa pelas falas citadas ali (a tese não conta). A autora diz que os gestores combinam mais de uma prática; na seção, 4 dos 9 citam duas ou mais, e G8 não aparece.

08 O inesperado · tema 4, eventos afetivos

O que mais abala o gestor não estava no modelo

O modelo da tese aponta três tipos de evento como os que mais mexem com as emoções de quem decide. A autora perguntou aos gestores. Antes de ver: o que você acha que mais os abala?

Seção 4.4 e Figura 10. Os nove citaram os eventos pessoais, sobretudo os da família; os do modelo "até foram citados", mas com menos peso (a tese não diz por quantos, por isso as caixas azuis ficam vazias). A autora não pôs a família no modelo: deixou para pesquisas com mais gestores.

09 Tema 5 · adoecimento no trabalho

Para os gestores, o medo leva à ansiedade e ao afastamento

Ao longo das conversas, um assunto preocupou os gestores: gente adoecendo no trabalho. G4 resumiu a corrente: o medo causa ansiedade. Toque em cada elo:

3,8%da população mundial com transtorno de ansiedade em 2019
7%no Brasil, quase o dobro (estudo citado pela tese)

Seções 4.1.4 e 4.5 e Quadro 7 (subtemas e códigos). Corrente desenhada por nós a partir das falas. Prevalências de Casimiro e Laranjeiras (2022), citados na seção 4.5.2; não são dados da pesquisa.

10 Tema 6 · emoções negativas

Nos relatos, os conflitos vêm mais do comportamento do que da técnica

A maioria dos conflitos aqui, eles são oriundos de emocionalidades, são muito poucos os conflitos por técnica, são muito mais por comportamento, por ego (G1). A autora agrupou o que os gestores contaram em três subtemas: ego, conflitos e mudança de gerações. Vire cada cartão:

Falas da seção 4.6, com o código da tese; os títulos dos cartões são nossos. Onde a fala marcava o gênero, cortamos com […].

11 A descoberta · tema 7 e a contribuição da tese

A tese acrescenta a educação emocional ao modelo

Os gestores apontaram a educação emocional como caminho, e uma das pessoas ouvidas lembrou o que ninguém ensina: Nós não aprendemos na escola, na vida de maneira geral, a nomear e diferenciar as emoções e sentimentos (G5). Daí a frase central da tese: as emoções contribuem para a decisão dos gestores educados emocionalmente. Compare os dois modelos:

Redesenho das Figuras 10 e 15 da tese. A educação emocional é uma proposta: a pesquisa não aplicou nem testou um programa. A caixa tracejada da família é o que a autora deixou para pesquisas futuras.

12 Para levar

Aprender a lidar com a emoção faz parte de aprender a decidir

Os gestores se preocupam com o bem-estar das equipes, mas, nas palavras da autora, ainda estão em processo de aprendizado emocional. Para ela, a educação emocional é uma forma de prevenção.

Para gestores

  • Nomear o que sente antes de decidir: respirar, esperar e só depois refletir, como contou G5.
  • Buscar o equilíbrio com práticas que funcionem para si (atividade física, terapia, meditação, conversa).

Para as empresas

  • Programas de educação emocional pensados para a rotina dos gestores, segundo a autora.
  • Olhar com atenção para adoecimento e vícios, discriminação por idade, gênero e raça e a convivência de gerações.

Para escolas e cursos

  • A autora defende a educação emocional desde as séries iniciais.
  • E também na graduação em Administração, onde se formam os futuros gestores.

O que esta pesquisa não diz

  • Outras cidades e mais gestores. A pesquisa ficou em Campo Grande e ouviu nove pessoas. · segundo a autora
  • Se a educação emocional funciona. A tese propõe programas, mas não aplicou nem avaliou nenhum. · observação nossa
  • Como as decisões foram de fato. Tudo vem do relato dos próprios gestores, não da observação das decisões nem das equipes. · observação nossa
  • Quantos disseram cada coisa. Fora a família (nove de nove), a tese não conta falas por tema; as contagens desta página são nossas. · observação nossa
  • Um grupo parecido. Quatro dos nove trabalham em educação, e a autora também é gestora: ela conta que a pesquisa mudou sua própria forma de decidir. · observação nossa

Créditos

Como citar
CURVO, Luciana Auxiliadora Guimarães Fonseca. Educação emocional e tomada de decisão: estudo das emoções vivenciadas pelos gestores de empresas do setor privado. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Almir Martins Vieira.

Pesquisa com apoio da CAPES. As entrevistas foram transcritas à mão pela autora e revisadas com o aplicativo Transkriptor. Os gestores aparecem só pelos códigos da tese (G1 a G9), sem cargo, setor ou gênero de cada um. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.