Aposentou… e continuou trabalhando
Cada vez mais gente segue na ativa depois de ter direito à aposentadoria. Por quê? Com 422 trabalhadores de 40 anos ou mais, a pesquisa mostra o que sustenta essa longevidade de carreira. Explicada em 10 telas.
A aposentadoria deixou de ser o fim da linha
As pessoas vivem mais e vai faltar gente para trabalhar. A tese dá nome ao período em que alguém já tem direito à aposentadoria e continua ativo: longevidade de carreira. Ela tem duas partes: o tempo a mais de trabalho e os motivos que mantêm a pessoa ativa. Toque num motivo:
A barra da amostra parte da idade média em que os 113 aposentados passaram a receber o benefício e se estende pela média de anos que já trabalharam depois disso. Regra geral da Emenda Constitucional 103/2019; médias efetivas de aposentadoria da OCDE (2024). Fonte: seção 2.8 e Tabela 103.
422 pessoas de 40 anos ou mais, todas trabalhando
O questionário on-line reuniu trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empreendedores e empresários, de 16 estados e do exterior. Respostas de 40 a 83 anos. O autor criou três escalas novas, entre elas a da longevidade de carreira, e adaptou outras duas para o português.
Cada ponto é um participante. Os pontos acendem na quantidade do grupo escolhido; não indicam as mesmas pessoas de um grupo para outro. Fonte: Tabelas 39 a 46.
O que faz alguém continuar? Faça sua aposta
A partir de 172 estudos, o autor chegou a cinco candidatos a fatores promotores da longevidade de carreira. Para cada um, diga se acha que ele ajuda a pessoa a seguir trabalhando. O cartão vira e mostra o que os dados disseram.
Importância do trabalho, escolha e adaptação
Três fatores têm ligação direta com a longevidade de carreira: a centralidade do trabalho (o maior), a volição e a adaptabilidade. Com a saúde e o sexo, o modelo explica cerca de metade (51%) das diferenças entre as pessoas.
Toque num círculo ou numa seta. A espessura segue o coeficiente padronizado (β): quanto mais grossa, mais forte a relação. Modelo final (10ª rodada), estimado no SmartPLS com 419 pessoas. Associações, não prova de causa. Fonte: Figura 20, Tabelas 95, 96 e 101.
A saúde pesa mais que tudo e muda o jogo
A saúde percebida entrou no modelo como controle e acabou sendo o fator de maior peso. Ela também muda a regra: o autor separou quem avalia a própria saúde acima e abaixo da mediana e comparou os dois grupos.
Altura proporcional ao coeficiente β. "Todos": modelo final (Tabela 95). Grupos: análise multigrupo com 181 pessoas de saúde melhor e 241 de saúde pior (Tabela 100). A diferença entre os grupos é significativa para centralidade e adaptabilidade; para volição, não (p = 0,063).
Sentir-se empregável não basta
Achar que conseguiria manter ou arranjar trabalho não teve efeito direto sobre a longevidade (β = 0,052, não significativo). A empregabilidade depende muito da volição (0,490), e quem já recebe a aposentadoria se sente menos empregável (−0,221). Para o autor, motivação, propósito e vontade de seguir ativo pesam mais.
Fonte: Tabelas 94, 95 e 101 e seção 4.9.5.
Elas querem continuar; eles já continuaram por mais tempo
Homens e mulheres aparecem de jeitos diferentes conforme a régua. Na escala de motivos, as mulheres pontuaram mais alto que os homens, mesmo considerando a saúde e os demais fatores (β = −0,185 para os homens). No tempo já trabalhado depois de aposentar, os homens estão à frente.
Altura proporcional ao valor. Os anos depois de aposentar valem só para os 113 aposentados (46 homens e 67 mulheres), que em média se aposentaram mais cedo que a idade legal. A leitura conjunta das duas medidas é nossa. Fonte: Tabelas 40, 95 e 103.
Quatro em cada cinco continuam por escolha
Dos 422, 113 já recebem a aposentadoria e seguem trabalhando, em média há 5,6 anos. A maioria não pretende parar. Escolha uma pergunta:
Cada figura é um aposentado que trabalha. "Por escolha" soma os 38 que mudaram de trabalho por decisão própria e os 55 que não mudaram nada, como fez o autor. Fonte: Tabelas 39 e 40 e seções 4.9.4.1 e 4.9.4.3.
Seis perfis de quem trabalha depois de se aposentar
O autor cruza duas coisas: há quanto tempo a pessoa trabalha depois de aposentar e se pretende parar um dia. Responda e veja o seu perfil (ou o de alguém que você conhece).
Blocos mais altos: quem não pretende parar. Os números nas bordas são os totais dos 113 aposentados em cada faixa de tempo e de intenção; a tese não informa quantos caem em cada perfil. O quiz é ilustrativo. Fonte: Figura 21, Tabelas 40 e 102.
Trabalhar mais tempo, por escolha e com saúde
Para o autor, continuar trabalhando na maturidade não é só necessidade econômica: é também significado, realização e desejo. Quem quer reter e incluir trabalhadores mais velhos precisa olhar para esses motivos.
Para as empresas
- Programas de carreira pensados para quem tem 50, 60 anos ou mais.
- Tempo parcial, aposentadoria gradual, contratos por projeto e trabalho-ponte.
- Carreiras sob medida, que se ajustam a cada fase da vida.
Saúde no centro
- A saúde percebida foi o fator de maior peso; cuidar dela é cuidar da permanência.
- Com saúde pior, o sentido que o trabalho tem na vida segura mais as pessoas.
Para as políticas públicas
- Envelhecimento ativo, com autonomia e trabalho digno em todas as idades.
- Atenção a quem é forçado a ficar ou a sair do mercado: nem todos escolhem.
Para orientar carreiras
- A escala de longevidade e os seis perfis podem servir de diagnóstico em RH e orientação de carreira.
- Desenvolver adaptabilidade e liberdade de escolha, que se reforçam.
O que esta pesquisa não diz
- Amostra mais rica e escolarizada. 72% nas classes A e B, 96% com ensino superior e 71% de São Paulo. Os resultados podem ser outros nas classes C, D e E. · segundo o autor
- Pessoas de classes diferentes entendem "mudar de carreira" de formas diferentes. Por isso a disposição para transições deve ser lida com cautela. · segundo o autor
- Um retrato de um momento, com autoavaliação. Cada pessoa respondeu uma vez sobre si mesma; os resultados mostram associações, não causa e efeito. · observação nossa
- Tempo e motivos medidos à parte. Os anos depois de aposentar valem para 113 pessoas; o modelo usa a escala de motivos, respondida por todos. · observação nossa
Créditos
DIAS, Emerson Weslei. Longevidade de carreira: fatores promotores da extensão da carreira dos trabalhadores mais velhos. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientadora: Profa. Dra. Darcy Mitiko Mori Hanashiro.
Pesquisa com bolsa da CAPES. Dados analisados por modelagem de equações estruturais (PLS-SEM, no SmartPLS 4) em dez rodadas, com análise multigrupo. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; a construção das escalas, todas as rodadas e as discussões completas estão no texto original.