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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2025

O que ajuda a interpretar uma norma de trânsito

Leis, resoluções, portarias, ordens de serviço: é com elas que os técnicos do DETRAN do Paraná emitem uma habilitação ou registram um veículo. Com 155 técnicos de todo o estado, a tese mede o que se liga a ter mais ou menos dificuldade nessa leitura: aprender, ter contatos, equilibrar o novo e a rotina e o próprio texto da norma. Explicada em 12 telas.

Autora: Genailda Ramos Neves Orientador: Prof. Dr. Silvio Popadiuk Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
Normas Trecho que atrapalha O técnico
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02 O problema

A mesma norma pode virar respostas diferentes

Cada unidade do DETRAN-PR aplica as mesmas regras. Mas uma norma ambígua, que muda toda hora ou cheia de exceções, abre espaço para cada técnico entender de um jeito, e o cidadão recebe respostas diferentes. A tese lista as razões. Toque numa:

Ilustração nossa: o pedido e as respostas são inventados. As razões vêm da introdução da tese (seção 1.1). Na pandemia, o atendimento presencial parou, os processos acumularam e as filas cresceram (G1 Paraná, 2021, citado na tese).

03 As ideias da tese

Três capacidades da pessoa e o texto da norma

A tese leva para o técnico três ideias que nasceram para estudar empresas: a capacidade de absorção (reconhecer, assimilar e aplicar conhecimento novo), o capital social (os contatos dentro e fora do órgão) e a ambidestria (explorar o novo sem largar a eficiência da rotina). E pergunta também o quanto o texto da norma atrapalha. Toque num bloco:

Altura = número de perguntas no questionário (Apêndice B). Escalas de Wang e colegas (capacidade de absorção), Ben-Hador e colegas, adaptada por Albano (capital social), e Popadiuk e Nishimura (ambidestria); as do texto da norma e da dificuldade foram criadas pela autora. O questionário também perguntou sobre o ambiente de trabalho (10 itens) e a motivação (15).

04 Como a pesquisa olhou

155 técnicos de um órgão que a autora conhece por dentro

A autora trabalha no DETRAN-PR. Com autorização do órgão, mandou um questionário para o e-mail institucional dos técnicos de atividades de trânsito das 101 circunscrições regionais (CIRETRANs) do Paraná, depois de testá-lo com dez colegas.

576técnicos no público da pesquisa
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fev/2024pré-teste com 10 técnicos
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155responderam, a partir de mar/2024

Seções 3.1, 3.2 e 3.3.7. Responderam cerca de 27% do público (conta nossa). O número ficou acima do mínimo que a autora calculou para os testes estatísticos.

Percentuais da Tabela 1; pessoas por grupo = percentual × 155, arredondado (conta nossa).

05 Experimente

Responda como um técnico

Seis frases reais do questionário, de 1 a 6. Troque "DETRAN-PR" pelo lugar onde você trabalha. A média dos técnicos aparece depois da sua resposta.

vocêmédia dos 155 técnicos

Itens AAS1, AID2, CSFDO1, CSLID3, INO8 e EFIC3 (Apêndice B); médias das Tabelas 2, 3 e 4.

06 O que encontrou · o retrato

Os técnicos trocam muito com os colegas e dizem ter pouca influência

Nas três capacidades, as médias ficam acima do meio da escala. A exceção está no capital social: os técnicos têm bons amigos e confiam nos colegas, mas quase não se veem ligados a pessoas influentes, dentro ou fora do órgão. Troque a capacidade e toque numa barra:

Médias de 1 a 6: o chão é 1 (discordo totalmente) e a caixa vazada vai até 6 (concordo totalmente). Tabelas 2, 3 e 4. Nas partes do capital social em que a tabela não traz a média do grupo, a média das perguntas é conta nossa.

07 O que encontrou · o dia a dia

Termos vagos e falta de treinamento estão no topo do que atrapalha

O questionário perguntou o quanto cada coisa prejudica a interpretação correta de uma norma. Antes de ver, um palpite: o que você acha que mais atrapalha?

A dificuldade declarada por tipo de norma ficou baixa (médias de 2,1 a 2,5): os técnicos se dizem à vontade com leis e portarias, mas apontam o que no texto e no trabalho atrapalha. Tabelas 5 a 8. Cada pergunta tem sua própria escala: compare só dentro da mesma pergunta.

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08 O que encontrou · o modelo

A capacidade de absorção se liga a todas as outras peças

A tese testou dez ligações de uma vez (equações estruturais). A capacidade de absorção se liga às outras capacidades e a menos dificuldade. O texto que atrapalha se liga a mais dificuldade. A ambidestria e os contatos de fora não fazem diferença clara. Toque numa seta:

Coeficientes padronizados (β) do SmartPLS 4, Tabela 13 e Figura 28. Espessura ∝ β; tracejada = não significativa. A medida de chegada é a dificuldade declarada: sinal negativo quer dizer menos dificuldade. R² = quanto das diferenças entre os técnicos o modelo explica.

09 A descoberta

O texto da norma pesa mais do que qualquer traço do técnico

Com só as capacidades do técnico, o modelo explica cerca de 10% das diferenças de dificuldade. Quando entra o quanto o texto da norma atrapalha (termos vagos, frases mal formuladas, vários significados), a explicação quase triplica. Ligue e desligue o texto:

29,3%das diferenças de dificuldade explicadas (R²)

Altura = tamanho do coeficiente (β), sem o sinal; ↑ = mais dificuldade, ↓ = menos. Sem o texto: Figura 27 (só as ligações significativas). Com o texto: Tabela 13 e Figura 28; cinza = não significativa. O copo vai até 100%.

10 O inesperado

Quem tem mais laços no órgão relatou um pouco mais de dificuldade

A hipótese era que bons contatos dentro do DETRAN ajudariam a interpretar as normas. Nos dados, a ligação é pequena e vai para o outro lado: mais capital social interno, um pouco mais dificuldade declarada. Mexa nos três fatores que se confirmaram e veja a soma:

Ilustração com os coeficientes da tese
← menos dificuldademais dificuldade →

β da Tabela 13 vezes o quanto você mexeu (em desvios-padrão), somados: leitura ilustrativa, com as demais coisas iguais. Associação num momento só, não prova de causa.

11 Teste a sua intuição

Nem toda aposta da pesquisa se confirmou

Antes de coletar os dados, a autora apostou que cada capacidade ajudaria. Faça as suas apostas e vire os cartões. No verso, um caso que a autora viveu no DETRAN-PR.

Hipóteses da seção 2 e resultados da Tabela 13. Os casos vêm da discussão, em que a autora comenta cada hipótese com sua experiência no órgão.

12 E daí?

Formar quem lê e escrever melhor o que se lê

Para a autora, capacitar os técnicos de forma contínua pode ser uma estratégia eficaz para desenvolver a capacidade de absorção e melhorar o serviço à sociedade. Os dados apontam outro alvo: o próprio texto das normas.

Para o DETRAN e outros órgãos

  • Treinamentos regulares e oficinas sobre normas novas, segundo a autora. Hoje não há um programa frequente: de tempos em tempos, os técnicos fazem cursos on-line da escola de governo do Paraná.
  • A ausência de treinamentos foi o que mais atrapalhou no ambiente de trabalho (4,30).

Para quem escreve normas

  • Termos vagos (4,13) e frases mal formuladas (4,03) lideram o que atrapalha no texto.
  • No modelo, o texto confuso foi a maior ligação com a dificuldade. Normas claras e bem definidas, diz a autora, são essenciais para uma interpretação uniforme.

Para os técnicos

  • Conversar com os colegas sobre uma norma nova foi a resposta mais alta da capacidade de absorção (5,07).
  • A autora sugere grupos de discussão e redes de apoio entre técnicos para uniformizar a leitura; a pesquisa não mediu o efeito desses grupos.

O que esta pesquisa não diz

  • Um órgão, um estado. Só técnicos do DETRAN-PR; outros órgãos e regiões podem ser diferentes. · segundo a autora
  • Questionário fechado. Respostas prontas não captam as nuances; a autora sugere entrevistas e grupos focais. · segundo a autora
  • Dificuldade declarada, não medida. O técnico diz quanta dificuldade sente; a pesquisa não testou se ele interpreta a norma certo. · observação nossa
  • Um momento só. Tudo foi perguntado no mesmo questionário: mostra o que anda junto, não o que causa o quê, nem a direção. · observação nossa
  • Boa parte fica sem explicação. O modelo explica 29% das diferenças de dificuldade; cerca de 71% dependem de outras coisas. · observação nossa, com o R² da Tabela 9

Créditos

Como citar
NEVES, Genailda Ramos. Capacidade de absorção, capital social e ambidestria individual sob o contexto de interpretação de normativas de trânsito. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientador: Prof. Dr. Silvio Popadiuk.

Tese aprovada em 17 de dezembro de 2024. Pesquisa autorizada pelo DETRAN-PR. A autora agradece a parceria com a União Dinâmica das Cataratas (UDC); o termo de consentimento cita o doutorado interinstitucional (DINTER). Dados analisados no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.