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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2025

A nota do regulador muda a dívida das empresas de energia?

Nos EUA, uma comissão de cada estado decide quanto a empresa de energia pode cobrar, e uma agência dá nota ao clima dessas comissões, de 1 (risco menor) a 9 (risco maior). A tese acompanhou 137 empresas de 2012 a 2023 para ver se a nota pesa na hora de se endividar. Em 12 telas.

Autor: Guilherme Spiazzi dos Santos Orientador: Prof. Dr. Wilson Toshiro Nakamura Coorientador: Prof. Dr. Manuel José da Rocha Armada (Universidade do Minho) Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie

Ilustração com o coeficiente da tese (Tabela 16): a nota acesa muda de 1 a 9 e a dívida prevista, partindo da média de 46,9% do capital, muda menos de 0,1 ponto percentual por nota.

ODS da ONU mais próximos
role
02 O problema

Quem decide quanto a empresa de energia pode cobrar é uma comissão do estado

As distribuidoras privadas de energia dos EUA são monopólios regulados. Para mudar a tarifa, abre-se um processo na comissão de serviços públicos do estado (o rate case). Siga os três passos.

De cada US$ 100 de receita (2022)
160 milhõesclientes de energia elétrica nos EUA em 2022
US$ 485 biem vendas de energia em 2022, 14,9% a mais que em 2021
90%dos clientes atendidos por empresas que fornecem e entregam a energia

Tabelas 1, 2 e 4 da tese (dados da EIA, 2022). A pilha usa a receita das grandes distribuidoras privadas (US$ 381,1 bilhões); a divisão por US$ 100 é conta nossa e soma 99,9 por arredondamento.

03 A pergunta

Os estudos anteriores apontam para os dois lados

Pela teoria clássica, quem corre mais risco deve se endividar menos. Com regulação, porém, a dívida também pode virar ferramenta. Ligue e desligue os argumentos e veja para onde pende a balança.

ilustração A balança só conta argumentos; não mede a força de cada um. Os argumentos resumem as seções 2.3 e 3 da tese. A tese aposta no lado esquerdo: mais risco, menos dívida (hipótese 1).

04 A medida do risco

Uma agência dá a cada estado uma nota de risco regulatório, de 1 a 9

A Regulatory Research Associates (RRA, da S&P Global) avalia mais de 30 indicadores, como os retornos que a comissão costuma autorizar e o resultado dos processos de tarifa. A nota pensa no investidor: 1 é o clima mais favorável; 9, o mais arriscado.

acima da média
(risco menor)
na médiaabaixo da média
(risco maior)
2023

Toque num estado. Apêndice B: nota de fim de ano do estado onde a empresa mais atua. Média 4,72 e desvio-padrão 1,67 (Tabela 14). Nebraska e o Distrito de Columbia não têm empresa na amostra (ladrilhos vazados).

05 A reestruturação

Em 17 estados e na capital, a venda de energia ganhou concorrência

Desde os anos 1990, parte dos estados separou quem gera a energia de quem a entrega. A tese divide os estados em três grupos.

Altura = número de empresas da amostra no estado (Apêndice A); toque num estado para ver quais são. Grupos pelas Tabelas 7 e 8. Nota média ponderada pelo número de empresas, 2012 a 2023: conta nossa com o Apêndice B.

integradosparciaistotais
06 Quem foi estudado

A tese acompanhou 137 empresas por 12 anos

A busca partiu de todas as empresas de energia reguladas da base S&P Capital IQ Pro. Ficaram as distribuidoras privadas de eletricidade que operam de fato, não as controladoras, e que tinham dados. Toque nas etapas.

1.644empresa-ano (137 empresas × 12 anos)
1.547empresa-ano com todos os dados, usadas nos modelos estáticos
131são subsidiárias de grupos maiores, de capital fechado

Tabela 9, seção 4.2 e Apêndice A. Os pontos mostram contagens: a tese não diz quais são as seis empresas de capital aberto. As categorias da Tabela 9 somam 3.478, duas a mais que o total impresso.

07 A medida da dívida

Em média, a dívida é 47% do capital dessas empresas

A tese mede o endividamento como a fatia da dívida no capital: dívida ÷ (dívida + patrimônio), pelos valores do balanço. Monte uma empresa e compare com a amostra.

em US$ bilhões, empresa inventada
o que é dos acionistas, também em US$ bilhões
patrimôniodívida
8,1%rentabilidade média (EBITDA ÷ ativo); nos processos de tarifa, o retorno autorizado médio foi 7,59%
71,5%do ativo é rede, usinas e equipamentos
7,3%do ativo investido por ano, em média

Tabela 14, Apêndice C e seção 5: média 46,9%, desvio-padrão 7,8 pontos, mínimo 3,0% e máximo 81,2%. Nos processos de tarifa de 2012 a 2023, o capital próprio autorizado foi 50,95% do total, ou cerca de 49% de dívida (dado citado pela tese).

08 O resultado · faça sua aposta

A tese testou três hipóteses sobre o risco regulatório

Os modelos comparam cada empresa com ela mesma ao longo dos anos (efeitos fixos) e levam em conta tamanho, lucro, ativos fixos, investimento e a dívida típica do setor. Antes de ver, aposte: os dados confirmaram cada hipótese?

Quanto muda a dívida a cada ponto a mais na nota

em pontos percentuais da fatia da dívida no capital; a faixa é o intervalo de 95%
−1,50+1,5

Tabelas 16, 19, 20 e 22 (coeficientes × 100, conta nossa). Uma faixa que cruza o zero quer dizer que os dados não distinguem o efeito de nenhum efeito. Para comparar: 1 ponto percentual a mais de rentabilidade vem com 0,45 ponto a menos de dívida (tela 9).

09 A descoberta

O que mexe na dívida é o lucro e o investimento da empresa

No mesmo modelo, dois fatores da própria empresa passaram no teste. Com mais lucro, a dívida cai: a empresa usa primeiro o próprio dinheiro, como prevê a teoria da hierarquia de fontes (pecking order). Com mais investimento, a dívida sobe. Mexa nos controles.

ilustração nossa Com os coeficientes do modelo final (Tabela 16 e Apêndice D), partindo da média da amostra (46,9%): é o efeito dentro da mesma empresa ao longo do tempo. Tamanho, ativos fixos e dívida típica do setor ficam parados (sem efeito claro a 5%; o tamanho foi só uma pista, p = 0,081). Barra listrada: puxa a dívida para baixo; cinza: sem efeito claro, com a faixa de 95% em volta.

10 O modelo dinâmico

A dívida volta ao alvo devagar, cerca de 16% por ano

Quando uma empresa se afasta da dívida que considera ideal, ela não corrige de uma vez. No modelo dinâmico da tese, 84% da dívida de um ano se repete no seguinte, e a distância até o alvo cai 16,1% a cada ano. Já a mudança da nota de um ano para o outro não explicou esse ajuste (p = 0,72).

ilustração nossa Uma empresa que começa 10 pontos acima do alvo, com o coeficiente da dívida do ano anterior (Tabela 22 e Apêndice F). As três opções são os modelos do Apêndice F, que só mudam os instrumentos (as defasagens usadas para contornar o vaivém entre dívida passada e presente). O autor escolheu o modelo com menos instrumentos (42, abaixo das 132 empresas); nele, o teste de Hansen (p = 0,007) acusa possível problema nos instrumentos, o que o autor reconhece.

11 O inesperado

Olhando todas juntas, mais risco anda com um pouco mais de dívida

Todas juntas+0,08correlação entre nota e dívida, p = 0,001 (Tabela 15): o contrário da teoria
Cada empresa com ela mesma≈ 0no modelo de efeitos fixos, −0,0007 por ponto, p = 0,81 (Tabela 16)

Por que a ligação some? Primeiro, um palpite: em quantas viradas de ano a nota do estado da empresa mudou?

integrados (32 estados)parc.totais (12)

Uma coluna por estado com empresa na amostra, uma linha por ano (Apêndice B). Contagens de mudanças, pesos por empresa e desvios-padrão: contas nossas com os Apêndices A e B.

12 Na prática · limites · créditos

O que muda para quem regula, administra ou investe

Reguladores

A percepção de risco regulatório não mexeu no endividamento das empresas no curto prazo. Para o autor, isso pode vir da rigidez das instituições ou da proteção que a estrutura dos grupos dá às subsidiárias.

Gestores das empresas

A estrutura de capital seguiu os fundamentos internos: o lucro (mais lucro, menos dívida) e o investimento (mais investimento, mais dívida), mais do que o clima do estado.

Investidores

Para avaliar a dívida de uma distribuidora, a nota do estado sozinha diz pouco; o desempenho e o plano de investimento da empresa dizem mais.

Pesquisadores

Próximos passos sugeridos: ler os processos de tarifa com análise de texto, medir fatores políticos (troca de comissários, opinião pública, lobby) e seguir o dinheiro entre as subsidiárias de um mesmo grupo.

O que esta pesquisa não diz

  • Uma nota não conta tudo. A nota da RRA pode não captar todas as nuances do comportamento das comissões, e o estudo cobre um setor e um período. · segundo o autor
  • A nota quase não muda. Mudou em 18% das viradas de ano, quase sempre de 1 ponto. Comparando cada empresa com ela mesma, sobra pouco movimento para medir. · observação nossa
  • Sem efeito claro não é efeito zero. Indo da nota 1 à 9, o intervalo de 95% vai de 4,8 pontos a menos a 3,8 a mais de dívida (conta nossa). · observação nossa
  • O ritmo do ajuste depende do modelo. Com outros instrumentos, cai de 16% para cerca de 6% ao ano, e o modelo escolhido não passa no teste de Hansen. · observação nossa

Créditos

Como citar
SANTOS, Guilherme Spiazzi dos. Capital structure under regulatory risk in the U.S. electric industry. Tese (Doutorado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientador: Prof. Dr. Wilson Toshiro Nakamura. Coorientador: Prof. Dr. Manuel José da Rocha Armada.

Pesquisa com apoio da CAPES e estadia de pesquisa na Universidade do Minho (Portugal). Dados da S&P Capital IQ Pro e da EIA; análise no Stata. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; as fórmulas e as tabelas completas estão no texto original, escrito em inglês.