O valor de uma faculdade se decide na experiência de quem estuda
Por que um aluno sente que o curso vale o que custa? A tese ouviu 15 estudantes de Psicologia, Nutrição, Enfermagem e Fonoaudiologia de um centro universitário privado de Foz do Iguaçu (PR) sobre o que os motiva e o que dá valor à graduação. Explicada em 12 telas.
Mais da metade de quem entra numa faculdade no Brasil não chega ao fim do curso
O autor parte de um dado do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2024, do Instituto Semesp. Se o aluno abandona, ele não chega a receber o serviço inteiro. Como entender o valor de um curso que muitos nem terminam?
Introdução da tese, com dados do Instituto Semesp (Mapa do Ensino Superior no Brasil 2024). A tese não traz a evasão da instituição estudada. Os 15 entrevistados estavam regularmente matriculados: a pesquisa ouviu quem seguia no curso.
Quem estuda é movido por motivos de dentro e de fora
A motivação intrínseca vem de dentro: interesse, curiosidade, vocação, o gosto pelo desafio. A extrínseca vem de fora: notas, diploma, dinheiro, reconhecimento. Os cinco motivos abaixo foram citados pelos 15 alunos quando falaram do próprio desempenho. Classifique cada um:
Quadros 15 a 17 e seção 4.1.5 (desempenho pessoal), uma resposta por aluno. A separação em "de dentro" e "de fora" é leitura nossa, pelas definições da tese; o autor conclui que a motivação de dentro (aprender, ajudar, causar impacto) pesou mais que as recompensas externas.
Para a tese, o valor do curso aparece no uso, ao longo da experiência
O autor revisou 261 artigos da Web of Science (de 519 encontrados), sete teorias da motivação e 21 teorias da aprendizagem, e montou um modelo: o aluno é visto como cliente de um serviço, e o valor nasce do que ele vive na faculdade. Toque em cada parte:
Figura 3 (modelo conceitual da pesquisa), seções 2.1 a 2.8 e Quadro 12, redesenhados por nós. É o modelo que guiou as entrevistas; ele não foi testado com números.
Quinze estudantes de quatro cursos de saúde contaram sua experiência
Em agosto e setembro de 2024, o autor entrevistou pessoalmente 15 alunos matriculados num centro universitário privado de Foz do Iguaçu, com 37 perguntas abertas sobre motivação, a vida no curso e o valor do serviço. As conversas foram gravadas e transcritas. Veja o grupo por recorte:
Quadro 13 e capítulo 3. Agrupamentos, mediana e soma dos minutos são contas nossas. Os cubos mudam de lugar a cada recorte, sem ligar curso, idade e duração de uma mesma pessoa.
Os 15 valorizam a prática fora da sala de aula, mas 5 acham o ambiente desestimulante
O autor resumiu a resposta de cada aluno em quatro assuntos. Na grade, cada coluna é uma pessoa (E1 a E15) e cada fileira, um assunto; a cor mostra o tipo de resposta. Escolha o assunto e toque num grupo:
Quadros 15 a 17 e seções 4.1.1 a 4.1.4. Onde o texto e o quadro põem um aluno em grupos diferentes, seguimos o quadro. Nomes dos grupos encurtados e cores (favorável ou crítica) por nós.
Estágios, extensão e aulas práticas ligam a sala de aula à profissão
Treze dos 15 contaram boas experiências práticas. As disciplinas dividiram mais: a maioria descreveu uma experiência mista ou desafiadora. Compare:
realidades diversas, o que proporcionou uma visão mais empática e humana da profissãoE2, sobre o estágio (seção 4.1.3)
Seções 4.2.1 e 4.2.4 e Quadros 18 e 19. Os quadros não trazem E6; para essa pessoa, seguimos o texto.
Nove dos 15 acham justo o que pagam pelo que aprendem
Antes de ver: quantos dos 15 acham que o valor pago à faculdade corresponde ao que aprendem?
Quadros 20 a 23 e seções 4.3.1, 4.3.2 e 4.3.4. A balança pende pelo número de pessoas de cada lado (ilustração nossa, não é uma medida de satisfação). Onde texto e quadro divergem, seguimos o quadro, salvo uma célula do quadro dos professores copiada de outra coluna (E13), em que seguimos o texto.
Doze dos 15 abriram mão de algo para estudar
Para a literatura de valor percebido, o aluno compara o que ganha com tudo o que sacrifica, não só com a mensalidade. Os entrevistados falaram de gastos extras e de renúncias: quatro citaram sacrifícios de dinheiro e trabalho, como ajustar o orçamento da família ou deixar o emprego. Escolha e toque numa coluna:
Quadros 20 a 23 e seções 4.3.5 e 4.3.6, uma resposta por aluno. "12 de 15" é conta nossa (15 menos os 3 sem grandes sacrifícios). Onde texto e quadro divergem, seguimos o quadro.
Para 6 dos 15, a opinião sobre a qualidade do ensino mudou durante o curso
A tese aponta uma lacuna: o valor percebido pode mudar ao longo da graduação. Ao fim das entrevistas, a última pergunta foi se a percepção da qualidade tinha mudado. Seu palpite:
E antes: por que escolheram esta faculdade?
Seções 4.3.7 e 4.3.8 e Quadros 20 a 23. A mudança é o que cada aluno lembra no fim, não uma medida feita no início e no fim do curso.
Quando o esforço não volta como recompensa, a motivação e o valor do curso caem juntos
A principal conclusão: motivos de dentro e de fora se misturam, e o aluno desanima quando sente que o que põe no curso não volta em aprendizado, estrutura ou futuro profissional. Monte uma experiência e veja a balança:
O que o aluno põe
O que volta
As quatro proposições da tese:
Capítulos 5 (proposições) e 6 (conclusão). A balança é ilustração nossa: a tese não mede pesos; aqui cada item vale um bloco só para mostrar a lógica.
O valor de um curso depende do que ele entrega em troca do esforço de quem estuda
Para o autor, o valor percebido é complexo: pesa o que se toca (estrutura, custo total) e o que não se toca (professores, reputação), e muda com o tempo.
Para as faculdades
- Investir em experiências do mundo real: estágios, laboratórios, clínicas e visitas técnicas.
- Cuidar da estrutura e da tecnologia (salas, equipamentos, internet).
- Acompanhar a experiência do aluno com avaliações contínuas e ajustar rápido.
Para professores e coordenações
- Metodologias ativas, trabalhos em grupo e exercícios práticos.
- Proximidade: tirar dúvidas, dar retorno, reconhecer o esforço.
- Capacitação em tecnologias educacionais, pedida por um terço dos alunos.
Para estudantes e famílias
- Contar os custos além da mensalidade: livros, cópias, transporte, eventos. (leitura nossa)
- Perguntar pelos estágios, laboratórios e pela rotina para quem trabalha de dia. (leitura nossa)
- A tese sugere subsídios, pacotes e flexibilidade para reduzir as barreiras financeiras.
O que esta pesquisa não diz
- Regras para todos os alunos. São 15 estudantes de 24 a 39 anos, de quatro cursos de saúde, numa só instituição. · segundo o autor
- Por que alunos desistem. Todos estavam matriculados; quem abandonou o curso não foi ouvido. · observação nossa
- O tamanho de cada efeito. É um estudo exploratório: os grupos descrevem falas e não medem quanto a motivação pesa no valor. · observação nossa
- Uma mudança acompanhada. A mudança de opinião sobre a qualidade foi lembrada no fim, não medida em dois momentos. · observação nossa
Créditos
SANTOS, Vinícius Gustavo Coelho dos. Fatores motivacionais e percepção do valor do Ensino Superior: um estudo exploratório na perspectiva dos alunos da área da saúde. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) · Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientadora: Profa. Dra. Dimária Silva e Meirelles.
Tese aprovada em 05/02/2025. Entrevistas feitas com consentimento (TCLE); os alunos aparecem só pelos códigos da tese (E1 a E15). Versão simplificada para o público em geral.