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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2025

Ser sustentável dá lucro a um banco?

Bancos emprestam o dinheiro que move a economia e são cobrados por práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Mas isso aumenta ou reduz o lucro deles? A tese revisou 40 estudos e acompanhou centenas de bancos de capital aberto de mais de 50 países, de 2014 a 2023. Explicada em 12 telas.

Autor: Vinicius Pereira dos Santos Orientadora: Profa. Dra. Michele Nascimento Jucá Coorientadora: Profa. Dra. Zélia Maria da Silva Serrasqueiro Teixeira Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie

As três colunas são as dimensões da nota ESG: ambiental (E), social (S) e governança (G). Imagem ilustrativa.

ODS da ONU mais próximo
role
02 Para começar

Um banco polui pouco, mas decide quem recebe dinheiro

Bancos não têm chaminés. Por isso, costumam ser vistos como um setor de baixo impacto ambiental. A tese lembra que eles afetam o ambiente de dois jeitos: direto, pela própria operação, e indireto, pelos critérios que usam para emprestar.

Além disso, governos e a ONU esperam que os bancos financiem a passagem para uma economia de baixo carbono. A pergunta da tese: essas práticas melhoram ou pioram o resultado financeiro dos bancos? Os estudos anteriores não concordam.

BANCO 💡 energia ☁️ emissões dentro do banco 🏭indústria 🌾agro ☀️energia solar crédito para clientes E S G

Ícones ilustrativos; os exemplos são os citados na tese (introdução e seções 3.1 e 4.1).

03 Artigo 1 · revisão da literatura

De 1.201 artigos, 40 passaram pela peneira

O primeiro artigo vasculhou duas grandes bases de pesquisa (Web of Science e Scopus) atrás de estudos que medem o efeito da sustentabilidade no resultado dos bancos.

Para escolher sem viés, o autor usou o método SMARTER: cada artigo ganha uma nota por três critérios com pesos fixos, e só o quarto mais bem pontuado segue. Depois, a leitura tirou os que fugiam do tema.

PESOS DOS CRITÉRIOS (Tabela 2.1)
61,1% 27,8% 11,1%
fator de impacto da revistanº de citaçõesano de publicação

Lado de cada laje proporcional à raiz do número de artigos (área ∝ número). Tabela 2.4; as somas por etapa são nossas. Toque numa laje.

04 Artigo 1 · o que a revisão mostrou

Os estudos não chegam a um acordo

O tema é recente: 15 dos 40 artigos saíram em 2023. Em 14 deles, a sustentabilidade melhorou a rentabilidade ou o valor dos bancos; em 7, piorou. A medida mais usada é o lucro do ano.

39 de 40escritos por autores de um só país
109 de 114autores publicaram um único artigo no tema
0estudos com bancos da América Latina

Número de artigos entre os 40 (seção 2.4.2). Um artigo pode cair em mais de uma categoria, por isso as barras não somam 40. Figura 2.1 para os anos.

05 Artigos 2 e 3 · o método

Centenas de bancos, dez anos de notas e balanços

Os outros dois artigos partem de 1.356 bancos comerciais de capital aberto e ficam com os que têm dados suficientes entre 2014 e 2023: 441 bancos de 54 países no artigo 2 e 579 bancos de 60 países no artigo 3. Os dados vêm da base Eikon-Refinitiv (LSEG) e do Banco Mundial.

bancos no ponto de partida
artigo 2: notas ESG e sistema financeiro
artigo 3: práticas e políticas ambientais

Área dos círculos proporcional ao número de bancos. Os demais saíram por terem menos de 5 anos (artigo 2) ou 4 anos (artigo 3) de dados.

Quatro peças do método. Toque nos cartões:

06 Artigo 2 · o contexto do país

O crédito do país passa pelos bancos ou pela bolsa?

A tese separa os países pelo tamanho do crédito dos bancos às empresas perto do valor das empresas na bolsa, ambos em % do PIB. Se o crédito bancário é maior ou igual, o país tem bancos no centro (bank-based); se não, a bolsa no centro (market-based).

Onde os bancos estão no centro, eles tiveram notas ESG bem mais altas, em todos os pilares (Tabela 3.3, médias de 0 a 100):

bancos no centro (166 bancos)bolsa no centro (275 bancos)

Número de bancos por país no artigo 2 (Apêndice A). Barra dos Estados Unidos cortada: 202 bancos, 73% dos bancos do grupo "bolsa no centro" (conta nossa). Toque num país.

07 Artigo 2 · resultado 1

Nota de sustentabilidade mais alta, mais lucro e mais valor

Nos 441 bancos, notas ESG mais altas vieram junto com mais rentabilidade (ROE) e mais valor de mercado (Q de Tobin). O resultado vale para a nota geral e para cada pilar: oito modelos, oito efeitos positivos.

O efeito por ponto de nota é pequeno. Escolha um pilar e suba a nota de um banco para ver a ordem de grandeza.

pontos a mais na escala de 0 a 100

Conta nossa. Parte das médias da amostra (ROE 12%, Q de Tobin 1,02; Tabela 3.3) e aplica os coeficientes da Tabela 3.5, mantidas as demais características. O ROE está em fração na tese: 0,0004 por ponto = 0,04 ponto percentual. Mostra associação no ano, não causa. Estrelas: significância a 10% (*), 5% (**) e 1% (***).

08 Artigo 2 · resultado 2

Com bancos no centro, mais lucro no ano e menos valor na bolsa

Estar num país com bancos no centro do crédito favoreceu o lucro de curto prazo (ROE) nos cinco modelos testados. Mas reduziu o valor de mercado (Q de Tobin) em quatro de cinco.

Para o autor, esses sistemas dão estabilidade e margens aos bancos, mas são mais regulados e conservadores: investem menos em projetos inovadores, e os investidores esperam menos do futuro. A exceção foi o modelo com a nota de governança, em que o valor também subiu.

13% × 12%ROE médio: bancos no centro × bolsa no centro
1,00 × 1,04Q de Tobin médio, na mesma ordem
5 de 5modelos com lucro maior; 4 de 5 com valor menor
Lucro · ROE
↑
Valor · Q de Tobin
↑

Efeito de estar num país com bancos no centro, em cada modelo da Tabela 3.6 (colunas = a nota que entra junto). Mostramos a direção e a significância; o tamanho dos coeficientes não é comparável entre ROE e Q de Tobin. Toque num modelo.

09 Artigo 2 · a descoberta

A sustentabilidade rende mais onde os bancos estão no centro

O autor testou se o efeito das notas muda conforme o sistema do país. Nos oito modelos, a nota rendeu a mais nos países com bancos no centro, tanto no lucro quanto no valor. O pilar de maior efeito extra foi a governança.

Para o autor, onde os bancos financiam a economia, a relação com os clientes é longa e próxima, e a sustentabilidade vira estratégia. Já nos países com a bolsa no centro, a nota ficou negativa no lucro; no valor, só a de governança teve efeito comprovado, também negativo.

a mais com bancos no centrocom a bolsa no centrosem efeito comprovado

Conversão nossa dos coeficientes da Tabela 3.7 para 10 pontos de nota (ROE em pontos percentuais; Q de Tobin na própria unidade). Pela explicação da tese (seção 3.4.3), com o termo de interação o coeficiente da nota vale para os países com a bolsa no centro. Toque numa barra.

10 Artigo 3 · o lado ambiental

Quase metade avalia o risco ambiental de quem pede crédito; menos de 1 em 10 aderiu à ONU

O terceiro artigo olha só para o ambiente, com três medidas para os 579 bancos:

  • Prática direta: a nota ambiental do banco (0 a 100), que reflete a própria operação.
  • Prática indireta: o banco avalia riscos ambientais e de biodiversidade dos projetos antes de financiar? (sim ou não)
  • Política: o banco é membro da iniciativa financeira do Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP FI)? Os membros seguem princípios como os de Banco Responsável e a aliança de emissão zero até 2050.

Médias da Tabela 4.3, calculadas sobre os anos de cada banco (observações banco-ano), não sobre bancos. Grade ilustrativa de 100 observações.

11 Artigo 3 · resultados

Práticas e política ambiental andam com mais lucro e valor, e juntas rendem mais

As três medidas, cada uma sozinha, vieram junto com mais valor de mercado e mais rentabilidade: seis modelos, seis efeitos positivos. E quando o banco também é membro da UNEP FI, o efeito das práticas, diretas ou indiretas, aumenta: quatro de quatro.

prática ou política sozinhasomada à adesão à UNEP FI

Altura do bloco: força da evidência (1, 2 ou 3 estrelas), não o tamanho do efeito: a tese arredonda estes coeficientes para duas casas, e as medidas estão em escalas diferentes (nota de 0 a 100 × sim ou não). Tabelas 4.5 e 4.6. Toque num bloco.

Ver os coeficientes da tese
12 Na prática, limites e créditos

Sustentabilidade pode ser estratégia de banco, não só custo

Investidores e credores

Critérios ESG podem servir como indicador complementar de solidez e de boa gestão de riscos de um banco.

Gestores de bancos

Práticas ambientais consistentes podem alinhar metas de rentabilidade e compromissos sustentáveis, sobretudo no crédito.

Reguladores

Os resultados reforçam políticas que exijam transparência e padronização das informações socioambientais.

Governos

Promover práticas sustentáveis no setor bancário pode alinhar estabilidade financeira e desenvolvimento sustentável.

O que esta pesquisa não diz

  • Só bancos de capital aberto. Eles costumam ser mais transparentes e ter governança mais sólida, o que pode enviesar a amostra. · segundo o autor
  • Dados ambientais ainda pouco padronizados, sobretudo em países emergentes. · segundo o autor
  • Só números. A abordagem quantitativa não capta fatores de contexto que pesam na relação. · segundo o autor
  • Associação, não prova de causa. O método (painel dinâmico) trata parte do problema, mas os efeitos por ponto de nota são pequenos e medidos no ano. · observação nossa

Créditos

Como citar
SANTOS, Vinicius Pereira dos. O efeito das práticas de sustentabilidade no desempenho financeiro do setor bancário. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2025. Orientadora: Profa. Dra. Michele Nascimento Jucá. Coorientadora: Profa. Dra. Zélia Maria da Silva Serrasqueiro Teixeira.

Pesquisa com apoio da CAPES e do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Dados da Web of Science, Scopus, Eikon-Refinitiv (LSEG) e Banco Mundial. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; as fórmulas e as tabelas completas estão no texto original.