Estratégia, tecnologia e desempenho nas prefeituras
Uma prefeitura pode inovar, defender o que já faz bem ou só reagir. Pode gastar tempo e papel em cada resposta. E pode ter mais ou menos tecnologia. Com 131 servidores de prefeituras do interior do Paraná, a tese pergunta o que disso anda junto com um serviço público melhor. Explicada em 12 telas.
Responder à Câmara já levou até 30 dias de idas e vindas
Numa das entrevistas da pesquisa, um servidor conta como era: cada pedido da Câmara de Vereadores chegava impresso, era copiado para cada secretaria e ia e voltava pelo motorista do malote. Buscar a informação, cobrar quem não respondeu, conferir: a teoria chama isso de custos de transação, custos que não aparecem no orçamento. Compare:
Ilustração nossa a partir do relato da Entrevista 02 (Apêndice C). Os tipos de custo (busca, negociação, monitoramento) vêm da introdução da tese. Um dos entrevistados resume: são custos “um pouco mais difíceis de medir” (Entrevista 01).
Miles e Snow descrevem quatro jeitos de lidar com a mudança
Em 1978, Miles e Snow propuseram quatro posturas estratégicas: a prospectora busca o novo, a defensora protege o que já faz bem, a analítica equilibra as duas e a reativa só se mexe quando é empurrada. Toque numa postura para ver como a tese a mediu e como os entrevistados se descreveram:
Descrições da seção 2.1.4 e da Figura 1 (adaptada de Miles e Snow, 1978). Na análise, a tese juntou prospectora e analítica numa postura só. Médias de 1 a 6 da Tabela 3. Falas do Apêndice C, pelo número da entrevista.
Monitorar foi a parte dos custos de transação com mais concordância
A teoria de Coase e Williamson explica por que toda troca custa algo além do preço. A tese juntou as perguntas em três partes: racionalidade limitada, especificidade dos ativos e monitoramento. Toque numa coluna para ver o que cada uma quer dizer e as frases que os servidores avaliaram:
Médias de 1 (discordo totalmente) a 6 (concordo totalmente), Tabela 1. As partes saíram de uma análise fatorial. Observação nossa: as frases pedem concordância com ideias da teoria (“custos de transação são uma realidade”), não o gasto em reais.
131 servidores de prefeituras do interior do Paraná responderam
Primeiro, o autor conversou com servidores de secretarias de Foz do Iguaçu para entender como eles falam desses temas. Com isso, montou um questionário, testou e encurtou. O link foi para servidores das secretarias de Administração e de Tecnologia da Informação e do Gabinete do Prefeito, que precisavam conhecer minimamente o assunto.
Seções 3.1 e 3.2. Amostra por conveniência; respostas de 1 a 6, de discordo totalmente a concordo totalmente. O pré-teste também cortou 6 minutos do tempo de resposta. Análise com equações estruturais (PLS-SEM, SmartPLS 4).
Percentuais da seção 4.2; pessoas por grupo = percentual × 131, arredondado (conta nossa).
Responda como um servidor
Seis frases do questionário, como resumidas nas tabelas da tese, de 1 a 6. Pense na prefeitura ou no órgão que você conhece. A média dos 131 aparece depois da sua resposta.
A barra começa em 1. As posturas medem o quanto o servidor acha importante cada atitude no planejamento da prefeitura (“é importante a capabilidade da prefeitura em…”); o desempenho é a percepção dos últimos três anos (Apêndice D).
Itens PL71, PL81, CT1, INFRA3, CAPA3 e DO1; médias das Tabelas 1 a 4.
Para os servidores, inovar e manter quase se confundem
Na teoria, a postura prospectora (buscar o novo) e a defensora (manter o que funciona) são opostas. Diga de qual postura é cada frase do questionário:
Correlação entre as duas posturas: 0,912 (Tabela 5); HTMT de 0,955, acima do limite de 0,9 que a própria tese usa. Sobreposição dos círculos ≈ r² (cerca de 83%, conta nossa, ilustração). Médias da Tabela 3.
Três setas chegam ao desempenho, e duas saem da tecnologia
A tese testou tudo de uma vez (equações estruturais). No modelo final, as posturas reativa e prospectora se ligam às partes dos custos de transação, a defensora se liga à tecnologia, e o desempenho recebe setas da infraestrutura, das capabilidades de TI e da reativa. Toque numa seta:
Modelo final da Figura 5 e Tabela 7 (SmartPLS 4): coeficientes padronizados (β), espessura proporcional ao β. As três partes dos custos de transação (racionalidade limitada, especificidade dos ativos e monitoramento) aparecem juntas num bloco; toque na seta para ver cada uma. Nenhuma delas tem seta até o desempenho no modelo final. R² = quanto das diferenças entre as respostas o modelo explica.
A postura defensora chega ao desempenho pela tecnologia
Quem valoriza manter os serviços e proteger o cidadão também avalia melhor a infraestrutura e as capabilidades de TI, e é por elas que a postura defensora chega ao desempenho. A prospectora não chega. Junto com a reativa, o modelo explica 61% das diferenças no desempenho percebido. Troque a vista:
Altura = tamanho do efeito padronizado. Pela infraestrutura: 0,469 × 0,382 = 0,179; pelas capabilidades: 0,457 × 0,328 = 0,150; os dois somam 0,329, todos significativos (Tabela 7). Cinza e plano = sem efeito claro (Tabela 8). O copo vai até 100%.
Só a postura reativa ficou com ligação direta ao desempenho
Na teoria, a reativa é a postura sem plano, a menos competitiva. Antes de ver, um palpite: qual postura você acha que ficou com ligação direta ao desempenho?
Andam juntas (correlação simples)
Ligação direta no modelo (β)
Correlações com o desempenho da Tabela 5; ligações diretas da Tabela 8 (prospectora 0,001, p 0,988; defensora −0,040, p 0,640) e da Tabela 7 (reativa 0,267, p < 0,001). Barras até 0,6.
Dez das 23 ligações testadas se confirmaram
Cada postura foi testada contra as três partes dos custos de transação, a infraestrutura, as capabilidades de TI e o desempenho; depois, cada uma dessas peças contra o desempenho. As partes dos custos de transação respondem às posturas, mas quase não chegam ao desempenho: só uma pista, na especificidade dos ativos. Filtre e toque num bloco ou num número da grade:
Tabela 8 (23 hipóteses) e, para as significativas, Tabela 7 e Figura 5. Altura = β, sem o sinal. Cor cheia = confirmada a 5%; listrado = pista (p entre 0,05 e 0,10, que a tese conta como confirmada); cinza = sem efeito claro.
Investir em tecnologia e começar a medir
Para o autor, o estudo pode servir de base para políticas de modernização administrativa nas cidades do interior. Nas entrevistas e nos limites que o autor aponta, aparece o passo que falta: indicadores para medir o próprio desempenho.
Para prefeituras
- Infraestrutura e capabilidades de TI foram as maiores ligações com o desempenho percebido (0,382 e 0,328).
- Capacitar os servidores e ter sistemas robustos são, para o autor, elementos críticos dessas políticas; os servidores concordam que a TI exige investir nos dois (4,42 e 4,41).
Para gestores públicos
- “Melhorar um indicador de desempenho? Não temos esses acompanhamentos.” (Entrevista 02)
- Leitura nossa: sem indicadores, o desempenho só pode ser medido como impressão das pessoas, como nesta pesquisa.
Para quem estuda estratégia
- No setor público, as posturas se misturam: as notas de prospectora e defensora quase não se separam, como já diziam Boyne e Walker, citados na tese.
- O autor sugere estudos em outras regiões e ao longo do tempo.
O que esta pesquisa não diz
- Amostra pequena e por conveniência. 131 servidores do interior do Paraná; outras regiões podem ser diferentes. · segundo o autor
- Poucos indicadores nas prefeituras. A falta de indicadores claros dificultou avaliar o impacto da tecnologia. · segundo o autor
- Percepção, não medida. O desempenho é o que o servidor percebe nos últimos três anos, e as posturas são o quanto ele acha cada atitude importante, não o tipo da prefeitura. · observação nossa
- Um momento só. Tudo foi perguntado no mesmo questionário: mostra o que anda junto, não o que causa o quê. · observação nossa
- Duas posturas que não se separam. Prospectora e defensora ficaram acima do limite de semelhança; o autor as manteve separadas para preservar a tipologia. · Tabela 5
Créditos
STOECKL, Karl. Efeitos da infraestrutura e capabilidades de TI, a tipologia de Miles & Snow e o custo de transação no desempenho operacional, no contexto de Gestão Pública. Tese (Doutorado em Administração de Empresas), Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. Orientador: Prof. Dr. Silvio Popadiuk.
Tese aprovada em 16 de dezembro de 2024. O autor agradece ao primeiro orientador designado, Prof. Dr. Roberto Giro Moori, e à União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC) pelo suporte institucional; a pesquisa fez parte de um doutorado interinstitucional (DINTER). Entrevistas analisadas no ATLAS.ti e questionário no SmartPLS 4. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.