Como saber se um país inova como um sistema?
A pesquisa reuniu 34 anos de artigos sobre sistemas nacionais de inovação, separou o que é consenso do que é disputa e criou uma régua de maturidade para avaliar quão bem esses sistemas funcionam. Explicada em 16 telas.
Título original: Assessing National Innovation System Sophistication: an integrated framework and maturity-based scale
Inovação é orquestra, não solista
Quem faz a inovação de um país? Escolha um ator.
Cada escolha revela o papel daquele ator e o que ele sozinho não consegue fazer.
Comparação nossa. A imagem da orquestra e as frases sobre o que cada ator não faz sozinho são desta versão interativa. A ideia vem da tese: a inovação nacional nasce da interação contínua entre atores interdependentes, e não de um ator isolado.
De 1841 a 2023, o conceito só cresceu
A expressão "sistema nacional de inovação" surgiu em 1987, mas suas raízes são mais antigas. Depois, ganhou vizinhos: hélices, sistemas regionais, biomas. Desde então, apareceu em mais de 1.300 artigos acadêmicos. Arraste o cursor ou clique nos pontos.
Os pontos estão igualmente espaçados para caber na tela; o ano de cada marco aparece embaixo. Fonte: Apêndice C da tese.
Cresceu tanto que perdeu a forma
A tese parte de um diagnóstico: o conceito sofreu reificação. A palavra é difícil, mas a ideia é simples: passou a ser usado como se fosse uma coisa pronta e bem definida, enquanto cada estudo o entendia de um jeito.
Nacional, regional, setorial, tecnológico, hélice tripla, bioma… Cerca de 43% dos estudos ligam o sistema nacional a outros tipos de sistema. Sem uma base comum, fica difícil comparar, medir ou melhorar os sistemas.
A tese não descarta o conceito. Ela o reorganiza para que volte a ser útil.
Metáfora visual nossa. As camadas são os recortes citados na tese (Seção 2.2); o núcleo comum é o que a revisão encontrou de forma consistente (Seção 2.7).
2.225 artigos encontrados, 126 lidos a fundo
A pesquisadora vasculhou duas grandes bases científicas, Web of Science e Scopus, em busca de tudo o que foi publicado sobre o tema entre 1990 e 2024. Passe o mouse em cada camada do funil.
- 2.225
registros encontrados com a expressão "sistema nacional de inovação"
- 1.397
restaram após tirar duplicados e registros incompletos
- 285
publicados nos 11 periódicos de referência que mais tratam do tema (lista ABS 2024, mais de 10 artigos cada)
- 126
tratavam de fato do sistema nacional de inovação, com texto acessível, e foram lidos e codificados
O método segue o protocolo PRISMA: cada etapa de exclusão é registrada, para que outra pessoa possa refazer o caminho.
34 anos de pesquisa, quase toda depois de 2000
Mais de 90% dos 126 artigos saíram a partir dos anos 2000. A maioria é empírica: mede algo num país real. Poucos discutem o que o conceito significa.
Fonte: Apêndice D e Figura 2.2 da tese. Passe o mouse em cada período.
Todo mundo fala do governo; quase ninguém, do dinheiro
A revisão contou em quantos dos 126 artigos cada ator aparece. Governo e universidades dominam a conversa. Sociedade civil e setor financeiro quase não aparecem, embora a própria literatura reconheça que eles importam.
Para a tese, esse desequilíbrio é um sinal de que a pesquisa costuma olhar só para uma parte do sistema e deixa de fora boa parte das interdependências.
Um artigo pode citar vários atores, por isso a soma passa de 100%. Fonte: Apêndice E.
Consenso, disputa ou surpresa?
A pesquisadora cruzou os achados dos 126 artigos e separou cada um em três grupos:
Consenso: aparece com frequência e se confirma de estudo para estudo.
Disputa: os autores divergem e o debate não avança de forma cumulativa.
Surpresa: contraria o que a teoria esperava.
Faça a mesma triagem ao lado. Nas surpresas, o cartão vira e mostra o que se esperava e o que a literatura encontrou.
É do consenso que a tese constrói o modelo das próximas telas.
Sete atores, um ciclo, um motor
Juntando só o que é consenso, a tese desenha o sistema nacional de inovação em três camadas. Separe as camadas e explore cada uma.
O país também é um ator
Os sete atores, juntos, formam o sistema nacional. E o sistema, por sua vez, troca conhecimento com os sistemas de outros países: recebe, compartilha e devolve inovação.
Rankings contam o que sai; a régua olha como funciona
Índices globais como o Índice Global de Inovação (GII), o de Competitividade (GCI) e o de Desenvolvimento Humano (IDH) são úteis, mas cada um olha uma parte. Escolha um aspecto e compare.
A régua não joga os índices fora: usa-os, junto com bases como V-Dem, Banco Mundial, OCDE e OMPI, como apoio para criar seus indicadores.
Uma régua com 31 peças
A régua tem 8 dimensões: os sete atores e o próprio sistema. Cada dimensão é avaliada nas etapas do ciclo (entrada, colaboração, saída e impacto), e cada combinação vira um fator com uma afirmação que especialistas avaliam. Clique num bloco.
O bloco vazado é o impacto da dimensão "sistema", que não aparece na tabela da tese. Por isso são 31 fatores, e não 32. Fonte: Tabela 4.2 e Apêndice F.
De "concordo" a nível de maturidade
Especialistas em inovação (acadêmicos, pesquisadores, empreendedores e gestores públicos) dizem o quanto concordam com cada afirmação, numa escala de 1 a 7. A resposta vira um nível de 0 a 3. Clique numa resposta.
Os especialistas também ordenam as dimensões da mais à menos importante. Com isso, o método Fuzzy AHP pode dar pesos diferentes a cada dimensão. Fonte: Tabela 4.1 e Seção 4.3.3.
A maturidade de uma dimensão é a soma dos níveis dividida pelo máximo possível (3 pontos por fator). A sofisticação do sistema é a média das dimensões. No exemplo da tese, três dimensões com 90%, 70% e 60% resultam em 73,3%.
Avalie um sistema de inovação
Pense num país e mova os controles: cada um é o nível médio dos fatores de uma dimensão, de 0 (ausente) a 3 (plenamente desenvolvido). As torres mostram a maturidade de cada dimensão contra o ideal (contorno), e o índice é a média.
Sofisticação do sistema
Ferramenta ilustrativa. A tese ainda não aplicou a régua a nenhum país; as notas aqui são suas. Na régua real, cada dimensão reúne de 3 a 4 fatores avaliados por especialistas, e os pesos podem vir do Fuzzy AHP; aqui todas as dimensões pesam igual. As mensagens sobre ponto fraco e equilíbrio são leitura nossa, inspirada na ideia de que um sistema sofisticado tem desempenho alto e harmonioso.
Do ranking ao diagnóstico
Para a tese, melhorar a inovação de um país não é só investir mais ou produzir mais patentes. É aumentar a capacidade do sistema de coordenar, aprender e se adaptar.
Para quem formula políticas
Em vez de só saber a posição num ranking, ver onde o sistema é forte ou fraco e decidir onde alocar recursos. É a passagem da comparação para o diagnóstico e a estratégia.
Conclusões da tesePara países emergentes
Economias com limitações estruturais podem inovar por meio de vínculos externos e estratégias adaptativas. Uma régua de maturidade consegue captar esse movimento, em vez de ignorá-lo.
Conclusões da tesePara cada ator do sistema
Empresas, bancos, universidades e organizações sociais podem se ver na sua própria linha da régua e perguntar: em que etapa do ciclo estamos fracos? Com quem precisamos nos conectar?
Leitura nossaPara pesquisadores
Próximos passos: aplicar a régua em vários países, validá-la com técnicas estatísticas e acompanhar ao longo do tempo como os sistemas respondem a políticas e mudanças tecnológicas.
Estudos futuros apontados na teseO que esta pesquisa não diz
- A régua ainda não foi aplicada a países. Ela foi validada no conteúdo por especialistas (em duas rodadas), mas falta a validação empírica e estatística.
- As avaliações são percepções. Respostas de especialistas trazem uma dose de subjetividade.
- O modelo simplifica. Oito dimensões não captam todas as particularidades de cada país, e o modelo integrador ainda não foi testado empiricamente.
- A revisão tem recortes. Ficou restrita aos 11 periódicos de referência com mais artigos sobre o tema e deixou de fora a literatura não publicada em periódicos.
HORTA, Rachel Nogueira Calcagno. Assessing National Innovation System Sophistication: an integrated framework and maturity-based scale. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2026. Orientador: Prof. Dr. Fellipe Silva Martins. Coorientador: Prof. Dr. Manuel Anibal Portugal.
Banca: Prof. Dr. Gilberto Perez (Mackenzie), Prof. Dr. Leonardo Vils (Uninove) e Prof. Dr. Ivano Ribeiro (Unioeste). Pesquisa com apoio da CAPES, incluindo doutorado sanduíche no Politécnico de Leiria, em Portugal.
A tese foi escrita em inglês. Esta versão interativa simplifica o trabalho para o público em geral; o referencial teórico, as fórmulas e as discussões completas estão no texto original.