Quem faz o empreendedorismo sair do papel na faculdade?
Quase todo curso de Administração promete formar alunos com "perfil empreendedor". A tese ouviu 16 professores de empreendedorismo da Grande São Paulo e leu 11 projetos pedagógicos de curso: o currículo ajuda, mas quem transforma o papel em experiência é o professor, com mais ou menos apoio da instituição. Explicada em 12 telas.
O que está escrito no currículo (folhas azuis) passa pelas mãos do professor (bloco vermelho) e só então chega aos alunos, já transformado. Arraste para girar.
O que está no papel nem sempre chega igual à sala de aula
Todo curso tem um Projeto Pedagógico de Curso (PPC): o documento que diz o que o aluno deve aprender e como. A literatura já avisava que o currículo escrito e o currículo vivido costumam ser diferentes. A tese quis entender como um vira o outro. Vire os cartões.
Seções 4.3.2, 4.4.1, 4.4.4 e 4.6.3. As falas são de professores entrevistados, identificados só pelo código (E1 a E16), como na tese. O que está "no papel" resume trechos de PPCs analisados (D1 a D11), também sem nome.
Empreender não é só abrir empresa: são 15 competências
A tese parte do EntreComp, um referencial criado pela União Europeia em 2016. Ele trata o empreendedorismo como capacidade de criar valor, no trabalho, na vida e na cidadania, em três passos: imaginar, preparar e agir. Toque numa competência.
Quadros 22 e 44. As competências são de Bacigalupo e colegas (2016); a cor mostra como o autor as traduziu nas categorias da análise ("correspondência direta", "conceitual" ou "tradução pedagógica"). Os degraus são um esquema nosso: a altura não mede nada.
Dezesseis professores contaram como ensinam; onze projetos de curso mostraram o que prometem
Entre julho e setembro de 2025, o autor entrevistou um professor de empreendedorismo em cada uma de 16 instituições da Grande São Paulo, públicas e privadas, de escolas de negócios a faculdades de engenharia. Também leu os PPCs de Administração das 11 que tinham o documento disponível. Veja quem são os professores.
Quadros 36, 37 e 40. Contagens por formação, tempo e papel são nossas; o agrupamento do papel em três tipos também. A tese não diz qual professor é de qual instituição, nem qual PPC é de qual escola. Cinco instituições não tinham o PPC público nem o enviaram.
Faça o que o autor fez: leia uma fala e diga de que tema ela trata
Entrevistas e PPCs foram lidos trecho a trecho no programa NVivo: cada trecho ganhou um código, os códigos viraram subtemas e os subtemas, cinco grandes temas. Escolha o tema de cada fala.
Quadros 35, 41 e 45 e seção 4.4.1. As quatro primeiras falas e seus códigos são os exemplos do Quadro 35; a quinta vem da seção 4.4.1, que não dá o código inicial. A soma de 1.993 marcações é conta nossa a partir do Quadro 45; a tese não diz se um trecho pode ter entrado em mais de um subtema. O primeiro tema partiu do EntreComp; os outros surgiram na análise.
Pensar criticamente e tomar a iniciativa lideram; aprende-se fazendo
O empreendedorismo aparece menos como discurso motivacional e mais como competências concretas, formadas em situações que pedem ação. Troque entre o que e como se aprende e toque numa barra.
Os assuntos que mais voltam são os que juntam competência e prática
Cada ponto é um dos 35 subtemas. Para a direita, em mais fontes (entrevistas e PPCs, até 27); para cima, em mais trechos. No canto de cima, à direita, ficam pensamento crítico, aprendizagem pela experiência, iniciativa e metodologias ativas. Filtre por tema e toque num ponto.
Quadro 45 e Gráfico 2, redesenhados por nós. "Quantos professores falaram" é contagem nossa no Apêndice E (entrevistas com mais de 0% do subtema). Contar trechos mostra o que se repete, não o que importa mais: a própria tese usa as contagens só como apoio à interpretação.
As dificuldades aparecem nas conversas, quase nunca nos documentos
Os PPCs falam de metodologias ativas e projetos. As barreiras, a falta de reconhecimento e os jeitos que os professores dão para contornar tudo isso aparecem nas entrevistas. Toque numa camada do iceberg.
Quadros 51 e 52 e seções 4.4.1 a 4.4.4. O iceberg é um esquema nosso: a espessura das camadas não mede nada. Quem fica abaixo da linha d'água segue o que a tese diz sobre os PPCs em cada subtema.
Cedo, em trilha ou mais tarde: o lugar do empreendedorismo no curso muda tudo
Os professores descreveram desenhos bem diferentes ao longo dos quatro anos de Administração. Quanto mais o currículo organiza a sequência e abre flexibilidade (trilhas, eletivas, horários), mais espaço o professor tem para inovar. Escolha um desenho.
Seções 4.5.1, 4.5.4 e 4.3.4 e Quadro 45 (barras: trechos dos quatro subtemas do currículo mais citados). Os semestres são desenho nosso a partir dos relatos e dos PPCs; quando a fala diz só "primeiro ano" ou "terceiro ano", pintamos o ano inteiro.
Cinco níveis, um centro: o professor traduz tudo em experiência
A principal contribuição da tese é um modelo: a formação empreendedora nasce da articulação de cinco níveis. No meio deles, o professor interpreta, adapta e traduz. Toque num nível ou faça um teste.
Figura 11, Quadro 57 e seções 5.4 e 6. O desenho em cruz segue a Figura 11. As alturas são um esquema; os testes resumem o que a tese diz sobre cada falta, não uma simulação.
Nem tudo o que parece óbvio se confirma
Quatro perguntas sobre ensinar a empreender. Pense na sua resposta e toque no cartão para ver o que a pesquisa encontrou.
Seções 4.3.2, 4.6.2, 4.6.3, 5.1 e 6, e Quadro 56.
Formar quem empreende é trabalho de equipe: currículo, professor e instituição
Professores
Planejar cada atividade prática com objetivo claro, reflexão e acompanhamento. Projetos e desafios formam mais quando não ficam soltos, e ligar teoria, experiência e o perfil da turma é parte do ofício.
Coordenadores
PPCs mais claros, coerentes e flexíveis, que orientem sem engessar: progressão ao longo do curso, empreendedorismo em várias disciplinas e integração entre aulas, projetos e experiências aplicadas.
Instituições
Reconhecer de verdade o trabalho docente, oferecer formação e espaços de troca entre professores e manter estruturas de apoio, como incubadoras e eventos, para que nada dependa só de iniciativas individuais.
Estudantes
Aproveitar o que a faculdade oferece além da prova: empresa júnior, ligas, hubs, mentorias, projetos reais. Nas palavras de um professor, "sugar" o ambiente universitário. · leitura nossa, a partir das entrevistas
O que esta pesquisa não diz
- Só cursos de Administração da Grande São Paulo. Outros cursos e regiões podem funcionar de outro jeito; a tese sugere testar o modelo neles.
- Ninguém perguntou aos alunos. O que se diz sobre o que eles aprendem vem dos professores e dos documentos; a tese propõe ouvir estudantes e egressos ao longo do tempo.
- Os professores foram escolhidos por indicação e contatos, entre pessoas com trajetória na área, o que pode puxar o retrato para quem já valoriza o tema.
- Contar trechos não mede efeito. A pesquisa mostra como as peças se articulam, não quanto cada uma melhora o aprendizado. · observação nossa
- Só PPCs e diretrizes nacionais: planos de ensino e planos institucionais ficaram de fora, e 5 das 16 instituições não tinham PPC disponível.
Créditos
MORITA, Marcos Roberto. Formação empreendedora na educação superior: articulações entre currículo, prática docente e processos formativos em cursos de Administração. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2026. Orientador: Prof. Dr. Almir Martins Vieira.
O autor teve isenção integral de mensalidades do Instituto Presbiteriano Mackenzie e declara ter usado inteligência artificial só como ferramenta de apoio, com revisão humana de todo o texto. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral; os quadros completos, as falas e as referências estão no texto original.