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Tese de doutorado · PPGA Mackenzie · 2026

Liderar, cuidar e o preconceito contra elas

Por que ainda se estranha uma mulher no comando? Com 108 profissionais que disseram as palavras que lhes vinham à mente e 260 que responderam a um questionário, a tese segue o caminho das crenças sobre os papéis de homens e mulheres até o preconceito contra mulheres líderes. Explicada em 12 telas.

Autora: Rosemeire Colalillo Navajas Orientadora: Profa. Dra. Darcy Mitiko Mori Hanashiro Programa: Pós-Graduação em Administração de Empresas · Universidade Presbiteriana Mackenzie
O que se espera da liderança O que a sociedade espera da mulher
ODS da ONU mais próximo
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02 O problema

Elas avançaram, mas a chefia ainda é mais deles

A tese abre com números de relatórios nacionais e internacionais. Cada quadradinho é 1 em cada 100. Escolha um dado:

Dados citados na introdução da tese: IBGE (2025), Global Gender Gap Report 2025 do Fórum Econômico Mundial e Índice de Normas Sociais de Gênero 2023 do PNUD. Não são resultados da pesquisa.

03 A teoria

Duas listas de qualidades: as de agir e as de cuidar

A psicologia social chama de agênticas as qualidades voltadas a agir e conquistar, historicamente ligadas aos homens, e de comunais as voltadas aos outros, ligadas às mulheres. Classifique as palavras como a tese classificou:

Da liderança se espera agir

Direção, firmeza, autoridade, foco em resultados.

≠Quando as pessoas veem essas duas expectativas como incompatíveis, há incongruência.

Da mulher se espera cuidar

Acolher, a maternidade, a família, a sensibilidade.

↓E a incongruência gera dois tipos de preconceito:

De acesso

Ela é vista como menos apta e tem menos chance de chegar ao cargo.

De sucesso

Quando chega e age com firmeza, é mal avaliada por fugir do papel esperado.

Teoria da Congruência de Papéis de Eagly e Karau (2002), base da tese (seções 2.5 e 2.6). As palavras e a classificação vêm do Quadro 2, que liga cada item das escalas a uma palavra dita pelos participantes.

04 Como a pesquisa olhou

Duas pesquisas: primeiro as palavras, depois o questionário

As palavras ditas pelos profissionais na primeira pesquisa viraram frases para as escalas. Seis especialistas e 11 pessoas do público avaliaram as frases antes do questionário final, com notas de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente).

108profissionais, ago/2024 a mar/2025: 2.638 palavras sobre liderança, mulher e homem
→
260profissionais, fev a abr/2026: questionário de 61 frases, analisado no SmartPLS

Cada ponto à direita é uma das 260 pessoas do questionário. Escolha um recorte:

Amostra por conveniência, divulgada em redes profissionais e sociais. Fonte: Tabelas 2, 3 e 41 a 46. Na primeira pesquisa, 64% eram mulheres e 72% líderes.

05 O que encontrou · as palavras

Quando a pergunta é sobre os outros, aparece “frágil”

Os 108 profissionais escreveram as primeiras palavras que lhes vinham à mente. As que mais aparecem, e logo de saída, formam o núcleo central: o que o grupo pensa de modo mais estável. Escolha o tema:

Número de vezes que a palavra apareceu no núcleo central (quadrante de alta frequência e evocação rápida) das Tabelas 4 a 10. Palavras agrupadas por sinônimos pela autora. Na Tabela 8 (líder homem), a palavra mais citada, com 30 menções, ficou sem nome impresso e não aparece aqui.

06 O que encontrou · as frases

Quase ninguém diz que elas não sabem liderar. Quase todos dizem que é mais difícil para elas.

Toque numa frase do questionário de preconceito para ver como as 260 pessoas responderam, de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente):

Barra = média de 1 a 7 (Tabela 55). Distribuição das respostas: Tabela 56; "concordam" soma as notas 5, 6 e 7 (conta nossa). As duas frases em cinza, as de preconceito aberto, saíram da escala final (análise fatorial); as outras nove formam a medida de preconceito usada no modelo.

07 O que encontrou · as médias

Para os profissionais, liderar também é cuidar da equipe

A tese criou e validou sete escalas e adaptou uma. Na média, a liderança recebeu notas altíssimas tanto em agir quanto em cuidar, acima do que a sociedade espera da mulher. As crenças patriarcais tiveram pouca adesão. Toque num bloco:

Altura = média simples das notas das frases que ficaram em cada escala (contas nossas, a partir das Tabelas 47 a 55 e do Apêndice A). A caixa vazada marca o máximo, 7.

08 O que encontrou · o modelo

Das crenças ao preconceito, passo a passo

O primeiro modelo da tese liga as crenças patriarcais aos estereótipos sobre homens e mulheres na liderança, estes ao que se espera da liderança e da mulher, e tudo ao preconceito percebido. Quanto mais grossa a seta, mais forte a ligação. Toque numa seta:

Coeficientes padronizados (β) do modelo 1, estimados no SmartPLS 4 com 10.000 reamostragens. Setas tracejadas: não significativas. Pílula com sinal de menos: ligação negativa. Mostram associação num momento só, não prova de causa. Fonte: Tabela 61.

09 A descoberta

O peso está no papel da mulher, não no do líder

Das quatro expectativas que chegam ao preconceito, as duas sobre a liderança não fazem diferença. Quem mais pesa é a expectativa de que a mulher cuide: quem a enxerga com mais força também enxerga mais preconceito contra mulheres líderes. Ver a mulher como alguém que age e decide anda junto com menos preconceito.

27,8%das diferenças no preconceito percebido explicadas por essas quatro expectativas
34,7%quando o modelo considera também se quem respondeu é mulher ou homem
−0,20+0,2+0,4+0,6

β padronizados até o preconceito (Tabela 61). Barras listradas: ligação negativa; cinzas: não significativas. Com o gênero de quem respondeu, a tese informa no texto só a mudança da expectativa de cuidado (de 0,497 para 0,395) e o R² (Tabela 73 e seção 4.6.2.6).

10 O que encontrou · as hipóteses

Sete de 14 hipóteses se confirmaram, e três deram o contrário

Nos modelos 2a e 2b, a tese mede a distância entre o que se espera da liderança e o que se espera da mulher, em quatro combinações (agir ou cuidar, de cada lado). Altura do bloco = tamanho do coeficiente. Filtre e toque num bloco:

Fonte: Tabela 82 (síntese), com as Tabelas 76, 79, 80 e 81. Verde: confirmada; laranja: significativa, mas com sinal contrário ao previsto; cinza: sem efeito. A distância é a média da liderança menos a média da mulher.

11 O inesperado

A distância encolheu, e o preconceito não foi embora

A teoria previa: quanto maior a distância entre liderança e mulher, mais preconceito. Nos dados, nas comparações com o lado do cuidado, deu o contrário: menos distância, mais preconceito. Como a liderança já ganhou notas de cuidado perto do máximo, a distância muda sobretudo pelo lado da mulher. Mova e veja:

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Ilustração nossa: a régua da liderança fica na média (6,28) e o controle muda só o lado da mulher; não são respostas reais. A direção do preconceito vem do modelo 2b (β = −0,362, Tabela 79) e do modelo 1 (β = 0,497, Tabela 61).

Crenças patriarcais não se ligam ao preconceito diretamente (β = 0,011, sem efeito). Chegam a ele por meio do estereótipo agêntico: efeito indireto de 0,094.
Estereótipo agêntico → preconceito: efeito total de 0,527; só 0,086 passa pela distância entre liderança que age e mulher que cuida (cerca de 16%).
Estereótipo comunal → preconceito: efeito total de 0,402; 0,084 passa pela distância entre liderança que cuida e mulher que cuida (cerca de 21%).

Efeitos diretos, indiretos e totais: Tabelas 80 e 81, num modelo com caminho direto dos estereótipos ao preconceito. Porcentagens e barras: contas nossas (indireto ÷ total; cinza-escuro = parte direta, vermelho = parte que passa pela distância).

12 E daí?

Valorizar o cuidado na liderança não bastou

Para a autora, a liderança de hoje já inclui empatia, confiança e desenvolvimento de pessoas, mas as expectativas tradicionais sobre a mulher continuam a pesar no julgamento das que lideram.

Para quem cuida de pessoas nas empresas

  • Observar os estereótipos na contratação, na promoção e na avaliação de desempenho de mulheres.
  • Usar o desenvolvimento de lideranças para promover a diversidade de gênero na cultura da empresa.

Para políticas de equidade

  • Identificar o que mantém os estereótipos, a distância entre os papéis e o preconceito que dificultam a chegada de mulheres à gestão.
  • As escalas validadas na tese permitem medir essa distância e acompanhar mudanças.

Para pesquisadores

  • Medir a distância com outros métodos (superfície de resposta, distância euclidiana).
  • Comparar gêneros, gerações, setores e culturas.

O que esta pesquisa não diz

  • Um grupo específico. 74% mulheres, 84% com pós-graduação, 74% nascidos em São Paulo, amostra por conveniência. · segundo a autora, com dados das Tabelas 41 a 46
  • Sem comparação entre mulheres e homens. O gênero entrou como controle, sem análise separada por grupo. · segundo a autora
  • Percepções, não atos. As escalas perguntam o que "a maioria das pessoas" ou "a sociedade" pensa; não medem decisões reais de contratação ou promoção. · observação nossa
  • Um momento só. As ligações são associações num questionário único, não prova de causa. · observação nossa

Créditos

Como citar
NAVAJAS, Rosemeire Colalillo. Fatores determinantes da incongruência entre o papel de liderança organizacional e o papel social de gênero feminino. Tese (Doutorado em Administração de Empresas) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2026. Orientadora: Profa. Dra. Darcy Mitiko Mori Hanashiro.

Apoio do Instituto Presbiteriano Mackenzie (isenção integral de mensalidades). Palavras analisadas no openEvoc; escalas no Jamovi e no SmartPLS 4. Segundo a autora, o ChatGPT apoiou a revisão do texto e o esclarecimento de conceitos e métodos. Esta versão simplifica o trabalho para o público em geral.